Duas pessoas foram presas nesta terça-feira (23) sob suspeita de integrar um esquema de vazamento de informações sigilosas para membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) nas cidades de Taquaritinga e Jaboticabal, no interior paulista. A ação faz parte da Operação Backdoor, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em conjunto com a Polícia Militar de São Paulo , e representa a segunda ofensiva contra a facção apenas neste mês relacionada ao acesso indevido a dados restritos de investigações.
De acordo com as apurações iniciais, os envolvidos teriam repassado informações sobre operações policiais que seriam realizadas contra integrantes da organização criminosa. Além das duas prisões temporárias, os agentes cumpriram sete mandados de busca e apreensão. Um advogado também figura entre os investigados por suposta participação no esquema, e o caso está sendo acompanhado pela Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP).
Os investigadores apontam indícios de que os suspeitos acessaram ilegalmente sistemas informatizados utilizados pela Justiça para consultar processos protegidos por sigilo. As informações obtidas teriam sido compartilhadas com integrantes da facção investigados por homicídios e outros crimes considerados graves. Com acesso antecipado aos dados, parte dos alvos conseguiu escapar antes do cumprimento de medidas judiciais determinadas pelas autoridades, e a suspeita é de que muitos deles continuem foragidos.
"Eles [advogados] acessaram com uma senha (...), mas é um acesso ilegal e tiveram acesso a alguns inquéritos com informações sigilosas que normalmente, se estivessem com a senha deles, não teriam acesso", detalha o major Pablo Flora, da Polícia Militar.
Nesta fase da investigação, o objetivo das autoridades é identificar todos os participantes do esquema e reunir novos elementos que ajudem a esclarecer o funcionamento da rede responsável pelo acesso irregular aos processos judiciais.
A Operação Backdoor é a terceira grande ação contra o PCC realizada em menos de dez dias. No último dia 16, a Operação Torneira desmantelou uma estrutura interestadual de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro que, segundo as investigações, movimentou cerca de R$ 230 milhões. Um dia antes, uma força-tarefa envolvendo aproximadamente mil policiais cumpriu 559 mandados judiciais em diferentes estados do país com o objetivo de enfraquecer a cadeia de comando da facção dentro e fora do sistema prisional.
Além dessas ações, o Gaeco também deflagrou no início do mês a Operação Infiltrados, voltada à apuração de uma suposta rede de apoio ao PCC instalada dentro de órgãos públicos. Entre os investigados estavam um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil, um ex-estagiário do Ministério Público e um policial penal. Segundo os responsáveis pela investigação, os suspeitos teriam compartilhado informações sigilosas sobre apurações em andamento, monitorado a atuação de autoridades e praticado extorsões para beneficiar a facção criminosa.