As despesas do governo federal alcançaram R$ 2,633 trilhões no acumulado de 12 meses até maio, aproximando-se do recorde de R$ 2,822 trilhões registrado em novembro de 2020, durante a pandemia de covid-19. O aumento dos gastos obrigatórios, especialmente com a Previdência Social e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), levou o Governo Federal a ampliar o bloqueio orçamentário para R$ 23,7 bilhões na tentativa de cumprir as metas fiscais e controlar as contas públicas.
De acordo com os dados, os gastos com a Previdência Social somaram R$ 1,117 trilhão no período, valor superior ao dobro das despesas federais com o funcionalismo público ativo. O crescimento dessas despesas ocorre em meio à regra de reajuste do salário mínimo, que impacta diretamente benefícios previdenciários e assistenciais, ampliando a pressão sobre o orçamento da União e reduzindo o espaço para outras despesas do governo.
Para tentar manter a meta de superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) e limitar o crescimento das despesas dentro do arcabouço fiscal, a equipe econômica elevou o congelamento de recursos para R$ 23,7 bilhões. As projeções oficiais também indicaram aumento de R$ 14,1 bilhões nos desembolsos com o BPC e de R$ 11,5 bilhões nas despesas com aposentadorias e demais benefícios previdenciários.
O avanço dos gastos obrigatórios também tem gerado restrições em diferentes áreas da administração pública. Segundo análises citadas pela reportagem, a redução da margem para despesas discricionárias já provoca limitações no funcionamento de órgãos federais, incluindo agências reguladoras e investimentos em tecnologia.
Em meio ao aumento das despesas, a dívida pública federal registrou alta de 1,91% e atingiu R$ 8,798 trilhões.