Empresas investigadas por suposta participação em esquemas de lavagem de dinheiro no Brasil passaram a ser alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos nesta quarta-feira (01º). Entre elas está uma companhia ligada ao empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, que recebeu R$ 514,5 milhões em transferências ao longo de um ano de outra empresa também investigada e apontada como integrante da rede associada a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS .

A Victory Trading Intermediação de Negócios, pertencente a Shimada, aparece como destinatária desses recursos, enviados pela Wave Intermediações. As duas empresas fazem parte da chamada rede Arpar, formada por mais de 40 companhias que, segundo a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, apresentam fortes indícios de serem utilizadas como empresas de fachada para ocultar recursos desviados do instituto.

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS

No relatório final da CPMI, elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), a rede Arpar é apontada como responsável por movimentar mais de R$ 39 bilhões. O documento afirma que o grupo teria sido utilizado para esconder a origem de valores obtidos por meio de fraudes contra o INSS. O nome da rede faz referência a uma das empresas que a integram, controlada por um sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Além da Victory Trading, as sanções norte-americanas também atingiram Victor Shimada, a Pixwave Soluções de Pagamentos, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, secretária do empresário, e a empresa portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal. Já a Wave Intermediações, responsável pelas transferências de R$ 514,5 milhões, não possui ligação com a Wave Construções Inteligentes, que também foi incluída na lista de sanções no mesmo dia.

Durante as investigações, a CPMI do INSS não obteve autorização para acessar o sigilo bancário da Victory Trading. Ainda assim, relatórios de inteligência financeira apontaram conexões entre a empresa e a ACX ITC Serviços de Tecnologia, outra companhia apontada como integrante da rede Arpar.

Os documentos também indicam que a ACX ITC realizou pagamentos destinados a integrantes do Judiciário. Entre os nomes citados estão a ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Sterman, e o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Nefi Cordeiro.

Sem anúncio no momento

Os relatórios ainda apontam que a ACX ITC utilizava o mesmo dispositivo de acesso para movimentar contas bancárias de outras empresas do grupo, incluindo a Texas Quantum Serviços Digitais e a Victory Trading.

“Identificamos que a empresa ACX ITC utiliza o mesmo dispositivo para realizar login em contas de outras duas empresas, a saber, Texas Quantum Serviços Digitais e Victory Trading”, informou o relatório. “Sendo que a Victory já foi comunicada anteriormente por atividade suspeita.”

Apesar de declarar capital social de R$ 101 milhões, o proprietário da ACX ITC, Ericsson de Azevedo, mantém um padrão de vida considerado modesto. Conforme as investigações, ele recebeu parcelas do Auxílio Emergencial durante a pandemia de Covid-19 e mora em um condomínio simples localizado no bairro do Jaçanã, na zona norte de São Paulo.