O economista e ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga afirmou que o Brasil apresenta sinais que podem anteceder um período de recessão econômica. Em entrevista publicada nesta sexta-feira (24), Fraga atribuiu o cenário à condução da política fiscal do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e defendeu mudanças para reforçar a confiança na economia.

Segundo o economista, o aumento da inadimplência entre as famílias, as dificuldades enfrentadas por empresas para renegociar dívidas e o encurtamento do prazo médio da dívida pública são fatores que indicam um ambiente de maior risco econômico. Para ele, esses elementos refletem um cenário de crédito mais restrito e de maior cautela por parte do mercado.

Foto: Puc-Rio
Armínio Fraga

Durante a entrevista, Armínio Fraga fez duras críticas à política de gastos do governo federal. Na avaliação do ex-presidente do Banco Central, houve um afrouxamento da disciplina fiscal desde o início do atual mandato, o que teria contribuído para elevar a percepção de risco sobre as contas públicas. (Gazeta do Povo)

O economista também demonstrou preocupação com a estratégia adotada pelo Tesouro Nacional na emissão de títulos públicos. Segundo ele, a preferência por papéis com vencimentos mais curtos pode aumentar a vulnerabilidade do governo diante da necessidade constante de refinanciamento da dívida, especialmente em um ambiente de juros elevados.

Ao comentar o cenário político, Fraga afirmou que o presidente Lula segue como um dos favoritos para a disputa eleitoral, mas questionou os custos fiscais de medidas adotadas em ano de eleição. O economista comparou o momento atual ao período que antecedeu a crise fiscal do governo Dilma Rousseff, defendendo maior compromisso com o equilíbrio das contas públicas.

As declarações foram dadas em entrevista à revista Veja e repercutiram no debate sobre os rumos da economia brasileira. Até o momento da publicação da reportagem, o governo federal não havia se manifestado sobre as críticas feitas por Armínio Fraga.

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