O governo brasileiro adotou medidas diplomáticas após as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei , durante sua passagem pelo Brasil no último fim de semana. O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos sobre as falas do chefe de Estado.
Segundo o Itamaraty, a reunião teve como objetivo transmitir oficialmente a insatisfação do governo brasileiro em relação às declarações feitas por Milei durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
Em seu discurso, o presidente argentino voltou a criticar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ao comentar a negativa para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“O lixo careca não me permitiu visitar meu amigo injustamente preso, embora eu saiba que Lula recebia constantemente líderes estrangeiros enquanto estava na cadeia, inclusive aquele ex-presidente argentino desastroso Alberto Fernández”, disse Milei ao mencionar a negativa ao pedido para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
No meio diplomático, a convocação de um embaixador é considerada uma manifestação formal de descontentamento de um governo em relação às ações ou declarações de outro país. De acordo com informações apuradas pelo portal Metrópoles, além do chanceler Mauro Vieira e de Daniel Raimondi, assessores do ministro também participaram do encontro.
Paralelamente, o governo brasileiro determinou o retorno do embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli, para consultas em Brasília. Esse tipo de medida costuma ser interpretado como um gesto diplomático de maior gravidade em comparação à convocação de um representante estrangeiro.
A previsão é de que Bitelli se reúna com o ministro Mauro Vieira a partir da próxima quarta-feira (29). Antes disso, o chanceler acompanha, nesta segunda-feira (27), a visita oficial do presidente da Coreia do Sul ao Brasil e, na terça-feira (28), seguirá para o Peru, onde participará da cerimônia de posse da presidente eleita.