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Ao menos 70 cidades de São Paulo cancelam carnaval em 2022

As prefeituras alegam o risco de aumento nas infecções pelo vírus, por causa do fluxo de pessoas.
Por Estadão Conteúdo

Apesar do avanço da vacinação, ao menos 70 cidades do interior de São Paulo já cancelaram o carnaval de 2022 motivadas pela pandemia de covid-19. As prefeituras alegam o risco de um aumento nas infecções pelo vírus, por causa do fluxo de pessoas e aglomerações, e ainda o respeito às famílias que perderam entes queridos. Há casos também de prefeituras sem recursos para bancar a festa, por terem investido no controle da doença. Estâncias climáticas - como Caconde, Santo Antônio do Pinhal e São Bento do Sapucaí - estão na lista dos que não preveem a festa.

Na Capital, a decisão final sobre a realização do carnaval de rua será tomada até o fim de dezembro, de acordo com o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido. A deliberação será baseada no cenário da pandemia, como dados de internação e vacinação. Em paralelo, o evento segue em etapa de preparação e organização. No começo de novembro, a CRBS S.A. (ligada à Ambev) foi anunciada como patrocinadora oficial, por R$ 23 milhões. Além disso, a Prefeitura recebeu 867 solicitações de desfiles, uma redução de 9,68% em comparação a 2020. Os cortejos estarão concentrados majoritariamente em oito dias, 19 e 20 de fevereiro (pré-carnaval), 26, 27, 28 de fevereiro e 1º de março (carnaval) e 5 e 6 de março (pós-carnaval).

Já na estância climática de Caconde, conhecida por um carnaval repleto de fantasias luxuosas, a prefeitura anunciou a suspensão da folia em 2022. Em nota, o município informou ter cancelado a festa diante das manifestações contrárias ao evento. "A saúde da população é prioridade e a vacinação é o caminho. Sinto que, em 2022, ainda não seja o momento de realizarmos o carnaval. Esse momento é de cautela para que, em 2023, tenhamos de volta o saudoso e tradicional carnaval de Caconde", disse o prefeito João Filipe (PSDB).

A prefeitura de São Bento do Sapucaí, outra estância climática, também optou pela não realização do famoso carnaval "Tem Folia na Montanha" no próximo ano. Conforme a prefeitura, a decisão foi tomada em conjunto com os demais municípios da região, "levando em consideração que esses eventos possuem grande fluxo de munícipes e turistas, o que impossibilita de promover controle de público e dos protocolos sanitários", disse, em nota. "Além disso, há de se considerar o risco de uma nova onda de contágio", acrescentou.

Estância climática encravada na Serra da Mantiqueira, Santo Antônio do Pinhal já definiu que não fará o carnaval tradicional em 2022. A prefeitura estuda realizar uma folia fora de época, quando a pandemia estiver bastante arrefecida. "Como outras cidades também propuseram, podemos fazer um carnaval fora de época, talvez no segundo semestre", disse o prefeito Anderson Mendonça (PSDB).

Em algumas regiões do interior, como na de Jundiaí, as decisões foram conjuntas, envolvendo todas as cidades do polo regional. Isso aconteceu também no Vale do Paraíba, onde 13 cidades decidiram suspender a festa, entre elas a turística Cunha e a litorânea Ubatuba. Na região de Franca, 26 municípios tomaram a decisão de evitar a folia. Outros municípios alegaram, além da pandemia, a situação financeira. Em Sorocaba, a prefeitura comunicou as escolas de samba de que não disponibilizaria recursos públicos para a festa. A Associação Cultural do Samba, no entanto, foi autorizada a fazer um Carnaval paralelo, com recursos da iniciativa privada.

A prefeitura de Ribeirão Preto informou que não vai patrocinar ações para o Carnaval, mas incentiva os agentes culturais da cidade a realizarem festas relacionadas ao evento. Já a prefeitura de Potirendaba disse que, diante da situação financeira do município, as prioridades são saúde e educação.

Parte dos municípios ainda não definiu cronograma

Com um dos carnavais mais concorridos do interior, com uma infinidade de blocos inusitados e à tradição das marchinhas, São Luiz do Paraitinga só deve definir se haverá festa nas próximas semanas. De acordo com a prefeitura, a situação da pandemia está sendo avaliada com cautela e a preocupação, no momento, é estender a vacinação completa a todos os moradores.

Na estância turística de Socorro, a realização do carnaval 2022 ainda está indefinida. "O assunto está sendo discutido com os demais prefeitos da região turística do Circuito das Águas Paulista", informou a prefeitura. Os foliões de Brotas, estância conhecida pelo turismo de aventura, também esperam uma definição sobre o Carnaval do ano que vem. "Vamos conversar com os prefeitos da nossa região para, se possível, tomar uma decisão conjunta", disse o prefeito Leandro Corrêa (DEM).

Prefeituras condicionam folias

Em Campinas, a Secretaria de Cultura e Turismo publicou no edital convocando os blocos carnavalescos interessados em participar do carnaval 2022. O cadastro deve ser feito até 10 de dezembro. O edital esclarece que a realização do Carnaval está condicionada à situação epidemiológica da covid-19. Conforme a pasta, a avaliação será feita pela Vigilância em Saúde do município.

São José do Rio Preto também confirmou que pretende realizar a festa, desde que a situação epidemiológica se mantenha favorável. "Essa condição continua sendo avaliada junto à Secretaria da Saúde", disse. Em Santos, a prefeitura liberou o início dos preparativos para o Carnaval de 2022, mas ainda espera uma definição do governo estadual sobre a festa.

Rio confirma carnaval 2022, mas especialistas pedem passaporte vacinal para turistas

O secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, garantiu que há na cidade segurança sanitária para a realização do carnaval de 2022, cujo calendário está mantido. Segundo o secretário, a cidade já atingiu praticamente todos os indicadores necessários para a festa. Eles foram listados em estudo da Fiocruz e da UFRJ apresentado na última sexta-feira à Comissão Especial de Carnaval da Câmara dos Vereadores do Rio.

Atualmente, a cidade tem apenas 3% de resultados positivos para covid-19 no total de testes realizados. A meta a ser conquistada era 5%. A taxa de contágio, que deveria estar abaixo de 1, é hoje de 0,76. A cidade também conseguiu zerar a fila de internação para casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Outro indicador importante é o porcentual de vacinados, que deve estar em 80%. O índice atual é de 76%. A perspectiva é que a meta será alcançada bem antes do carnaval.

“Além da cobertura que a gente tem hoje, dos ótimos indicadores, a gente ainda tem uma cobertura adicional de dose de reforço que poucos países têm”, afirmou o secretário aos vereadores. “A gente pode dizer neste momento que a covid está controlada na cidade do Rio e a gente tem condições ideais para ir retomando nossas atividades.”

Especialistas que participam da comissão da Câmara dos Vereadores, entretanto, chamaram a atenção para o descompasso da cobertura vacinal do Rio de Janeiro para o restante do Estado e do Brasil e também de alguns países. Eles recomendaram que a Prefeitura cobre o passaporte vacinal para turistas.

“A prefeitura precisa deixar claro que vai exigir o passaporte vacinal para quem entrar no município no Natal, Réveillon e carnaval”, afirmou o epidemiologista Roberto Medronho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O pneumologista Hermano Castro, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, também defendeu a cobrança do passaporte vacinal para turistas. Ele afirmou que é importante, até o carnaval, a manutenção de medidas como o uso de máscaras em aglomerações.

O desfile das escolas de samba está confirmado. O trabalho nos barracões já é acelerado. Os ensaios técnicos, no Sambódromo, estão previstos para a segunda semana de janeiro.

“É improvável que aconteça um adiamento dessa vez”, afirmou o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Perlingeiro. “A vacinação tem proporcionado o efeito necessário, vamos dar o maior carnaval de todos os tempos. Os barracões estão funcionando a todo vapor.”

Segundo a Riotur, 506 blocos estão inscritos para fazer 620 desfiles na cidade, durante o carnaval, entre eles os chamados megablocos de Anitta, Ludmilla e Preta Gil. Nem todos serão aprovados; a lista final sai no fim de dezembro. Ainda assim, em 2020, por exemplo, foram autorizados 441 blocos.

Veja abaixo as cidades de São Paulo que suspenderam o carnaval em 2022:

-Altinópolis

-Barrinha

-Borborema

-Botucatu

-Brodowski

-Cabreúva

-Caçapava

-Caconde

-Cajuru

-Campo Limpo Paulista

-Cássia dos Coqueiros

-Catanduva

-Cunha

-Dobrada

-Dumont

-Fernandópolis

-Franca

-Guaíra

-Guariba

-Guatapará

-Iacanga

-Ibitinga

-Itapetininga

-Itápolis

-Itatiba

-Itupeva

-Jaboticabal

-Jacareí

-Jarinu

-Jundiaí

-Lagoinha

-Lins

-Louveira

-Luis Antônio

-Marília

-Mogi das Cruzes

-Monte Alto

-Monteiro Lobato

-Natividade da Serra

-Nova Europa

-Orlândia

-Piacatu

-Pitangueiras

-Pradópolis

-Poá

-Potirendaba

-Redenção da Serra

-Ribeirão Preto

-Rifaina

-Roseira

-Sales Oliveira

-Santa Cruz da Esperança

-Santa Ernestina

-Santa Rosa do Viterbo

-Santo Antônio da Alegria

-Santo Antônio do Pinhal

-São Bento do Sapucaí

-São Joaquim da Barra

-São Simão

-Sarapuí

-Sorocaba

-Suzano

-Taquaritinga

-Taubaté

-Ubatuba

-Uchoa

-Urupês

-Valinhos

-Várzea Paulista

-Vinhedo

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