O telescópio espacial Hubble, operado pela NASA em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA), registrou a imagem mais nítida já feita de um cometa interestelar. O objeto, batizado de 3I/ATLAS, atravessa o Sistema Solar a uma velocidade de cerca de 200 mil km/h.
Descoberto em julho deste ano pelo sistema automático de rastreamento ATLAS, no Havaí, o cometa chamou a atenção dos astrônomos por sua origem extrassolar e pela velocidade recorde. A imagem divulgada mostra um casulo azulado de poeira envolvendo o núcleo gelado, enquanto as estrelas ao fundo aparecem distorcidas devido ao rastreamento preciso do movimento do cometa.
Segundo a NASA, o núcleo sólido do 3I/ATLAS pode medir entre 320 metros e 5,6 quilômetros de diâmetro, dependendo da densidade do material. Também foi identificado um jato de poeira expelido da face iluminada pelo Sol e uma cauda em formação — indícios de que o cometa está em processo de sublimação.
Apesar de apresentar comportamentos semelhantes aos de cometas originados no Sistema Solar, o 3I/ATLAS se destaca por ser um visitante interestelar. Astrônomos acreditam que ele foi lançado de seu sistema original por interações gravitacionais com estrelas e nebulosas, tornando-se um viajante cósmico que vagou pelo espaço por bilhões de anos.
Além do Hubble, telescópios como James Webb, TESS, Swift e o Observatório Keck estão monitorando o cometa para analisar sua composição química e trajetória. A previsão é que o 3I/ATLAS permaneça visível para instrumentos terrestres até setembro, quando se aproximará ainda mais do Sol. Caso resista à passagem, poderá ser observado novamente no final do ano.