Um microchip ocular experimental permitiu que pacientes cegos recuperassem parcialmente a visão e voltassem a ler após um procedimento inovador realizado no hospital Moorfields Eye , em Londres. O implante foi testado em cinco pessoas com atrofia geográfica, estágio avançado da degeneração macular relacionada à idade, doença que compromete a visão central e afeta principalmente pessoas acima dos 50 anos.
O dispositivo consiste em um microchip fotovoltaico de apenas dois milímetros, implantado diretamente na retina. Associado a óculos equipados com uma câmera, o sistema capta imagens do ambiente e as converte em sinais que são processados e enviados ao cérebro pelo nervo óptico. Segundo o oftalmologista Mahi Muqit, responsável pelo estudo, trata-se do primeiro implante capaz de oferecer uma visão funcional para atividades cotidianas, como leitura e escrita.
Entre os participantes está Sheila Irvine, de 70 anos, que perdeu a visão central há mais de três décadas. Após o implante, ela voltou a ler livros, correspondências e até resolver palavras cruzadas. Apesar dos avanços, o uso do dispositivo ainda exige concentração intensa e apresenta limitações, especialmente em ambientes externos.
Especialistas avaliam que a tecnologia tem potencial para se disseminar globalmente nos próximos anos, inclusive no Brasil. Embora o implante ainda não esteja disponível comercialmente, médicos destacam que inovações desse tipo costumam se popularizar com o tempo, à medida que os custos diminuem e a eficácia clínica é comprovada em larga escala.