O El Niño foi oficialmente confirmado em junho de 2026 e deve ganhar força nos próximos meses, segundo centros internacionais de monitoramento climático. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e, de acordo com especialistas, há alta probabilidade de que permaneça até o fim do ano.
De acordo com a climatologista Karina Bruno Lima, pesquisadora de pós-doutorado da Friedrich-Alexander-University Erlangen-Nuremberg (FAU), na Alemanha, as projeções apontam para um evento de grande intensidade. Embora o termo "super El Niño" não seja uma classificação oficial da comunidade científica, a pesquisadora explica que os modelos climáticos reforçam a expectativa de um fenômeno muito forte. A confirmação oficial foi feita pela NOAA, agência dos Estados Unidos responsável pelo monitoramento do clima.
O El Niño é um fenômeno natural provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, capaz de alterar padrões climáticos em diversas regiões do planeta. Apesar de ocorrer independentemente das mudanças climáticas, cientistas destacam que o aquecimento global tem contribuído para que esses eventos se tornem mais frequentes e intensos. O episódio de 2023/2024, por exemplo, esteve entre os mais fortes já registrados.
Observações realizadas pelo satélite Sentinel-6 Michael Freilich, da Nasa, mostram que o fenômeno continua se intensificando. Os cientistas monitoram a elevação da superfície do mar, já que a água aquecida se expande, elevando o nível do oceano. Esse aumento é considerado um dos principais indicadores do fortalecimento do El Niño.
Como o fenômeno afeta o clima
O El Niño vai além do aquecimento da superfície do Oceano Pacífico. O fenômeno envolve grandes reservas de calor abaixo da água, alterando a circulação dos ventos e influenciando o clima em diversas regiões do mundo. Entre os principais efeitos estão o aumento da temperatura no Pacífico Equatorial, mudanças no regime de chuvas e períodos de seca. Países como Indonésia e Austrália costumam enfrentar tempo mais seco, enquanto outras regiões registram aumento das precipitações.
No Brasil, a previsão para o segundo semestre de 2026 indica aumento das chuvas na Região Sul, elevando o risco de temporais, enchentes e deslizamentos. Já o Centro-Oeste e o Sudeste devem registrar temperaturas mais altas e tempo mais seco, enquanto o Norte e o Nordeste podem enfrentar redução das chuvas e maior risco de queimadas. Segundo os meteorologistas, há mais de 80% de probabilidade de o fenômeno permanecer e se intensificar até o fim do ano.
Na Europa, os efeitos do clima extremo já chamam atenção. O continente enfrenta a segunda onda de calor de 2026, com temperaturas recordes em diversas capitais. A França confirmou mortes relacionadas às altas temperaturas, enquanto Itália, Reino Unido, Alemanha, Espanha, Bélgica e Polônia emitiram alertas e adotaram medidas emergenciais. Especialistas apontam que o "domo de calor", intensificado pelo avanço do El Niño e pelas mudanças climáticas, contribui para a permanência do ar quente sobre a região.
Santa Catarina reforça ações preventivas
Diante da confirmação do fenômeno, a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina reuniu o Comitê de Gestão de Crise para alinhar estratégias de prevenção, preparação e resposta aos possíveis impactos do El Niño. O encontro contou com representantes de secretarias estaduais, forças de segurança e equipes técnicas. A reunião foi realizada com base no Decreto nº 1.530, de 18 de maio de 2026, que instituiu estado de alerta climático no estado. Entre as medidas previstas estão o monitoramento meteorológico permanente, pré-posicionamento de equipes e equipamentos, contratação preventiva de recursos, reforço dos sistemas de comunicação e utilização do Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil para ações preventivas.
Os municípios catarinenses também deverão intensificar a limpeza dos sistemas de drenagem, vistoriar áreas de risco, atualizar planos de contingência e monitorar comunidades vulneráveis. O estado permanecerá em alerta por 180 dias, prazo que poderá ser prorrogado conforme a evolução das condições meteorológicas. Segundo a Defesa Civil, o cenário exige atenção devido ao aumento do risco de enchentes, inundações e deslizamentos provocados pelas chuvas intensas previstas para a Região Sul.