O jornal norte-americano The Washington Post publicou um levantamento que reacendeu o debate sobre a neutralidade de ferramentas de inteligência artificial. De acordo com a análise, o ChatGPT apresentou respostas classificadas como alinhadas à esquerda em cerca de 80% das perguntas avaliadas em um teste que comparou diferentes modelos de IA.

O estudo analisou plataformas desenvolvidas por OpenAI, Google, Anthropic, xAI e DeepSeek, com o objetivo de identificar possíveis tendências ideológicas nas respostas fornecidas pelos sistemas quando questionados sobre temas políticos e sociais.

Para a avaliação, foram utilizadas 29 perguntas elaboradas por pesquisadores das universidades Stanford e Dartmouth. Os questionamentos abordaram assuntos frequentemente presentes no debate público, como imigração, controle de armas, cotas raciais, pena de morte, impostos e programas de diversidade.

Foto: Alef Leão/GP1
Chat GPT

Segundo o levantamento, o ChatGPT foi o modelo que mais apresentou respostas classificadas como progressistas. Durante toda a análise, apenas uma resposta foi considerada exclusivamente conservadora.

Gemini foi apontado como o mais equilibrado

Entre os sistemas avaliados, o Gemini, desenvolvido pelo Google, foi apontado como o chatbot com maior equilíbrio. Conforme o levantamento, em mais de 90% das respostas o modelo apresentou argumentos associados tanto a posições de esquerda quanto de direita.

Já o Grok, da xAI, empresa fundada por Elon Musk, foi identificado como o sistema com maior inclinação para posições conservadoras.

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Empresas defendem busca por neutralidade

As empresas responsáveis pelas plataformas contestam a ideia de que seus sistemas possuam direcionamento político deliberado. Em resposta ao Washington Post, a OpenAI afirmou que desenvolve o ChatGPT para oferecer informações de forma objetiva e auxiliar os usuários na compreensão de diferentes perspectivas sobre um mesmo tema.

A empresa informou ainda que realiza testes frequentes para identificar e reduzir possíveis vieses nas respostas geradas pelo modelo.

Especialistas ouvidos pelo jornal destacaram que alcançar neutralidade absoluta em temas políticos representa um desafio técnico, já que muitas questões envolvem interpretações, valores e diferentes visões de mundo.