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Ciência e Tecnologia

Veja como se proteger de golpes nos bancos digitais

Se você foi vítima de roubo de celular, como o jovem Lucas Dallaverde, saiba como proceder.
Por Estadão Conteúdo

Quando Lucas Dallaverde, de 29 anos, foi assaltado, ele não imaginava que teria que enfrentar 40 dias da “coisa mais assustadora” que já lhe aconteceu. O assalto aconteceu no dia 5 de maio deste ano, no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, enquanto ele estava a caminho do trabalho. No momento em que parou o carro para atender a uma ligação, quatro homens armados o fizeram descer do veículo. O intenso relato foi publicado em um seu twitter.

“Em seguida, com uma arma na minha cabeça levaram meu celular, minhas coisas do trabalho, carteira, cartões, documentos e o carro. Usaram meu rosto para desbloquear o celular e pediram a senha de desbloqueio.”, relatou o representante comercial.

Uma das primeiras atitudes de segurança de Lucas após o assalto foi bloquear todas suas contas. Ele conta que, de início, não se preocupou, já que não havia dinheiro em seus aplicativos de bancos digitais. “Na manhã do dia 06/05/22, consegui um celular emprestado e comecei a receber notificações de transações. Comecei a ficar assustado, pois da onde afinal estava vindo o dinheiro? Eles fizeram um empréstimo no @falanext do @bradesco de R$ 19.000 reais.”, descreve Lucas.

Foto: Reprodução/ TwitterLucas Dallaverde
Lucas Dallaverde

Ele conta ainda que conseguiu bloquear a conta da Next e entrou em contato com o banco digital para relatar o acontecido. “Quando a conta foi desbloqueada, já tinham feito um pix de R$ 9.500 para uma conta no @picpay e uma TED de R$ 7.500. Além disso, gastaram 400 reais no cartão de crédito do @nubank e @rappibank, que estornaram na hora. E R$ 1.000 reais no cartão do @falanext, e adivinhem, que ainda não estornaram. Assim, como os R$ 18.000 do ted e pix.”

Mais de um mês depois, finalmente Lucas conseguiu resolver o problema. Segundo o relato dele, o Next iriam estornar todo o valor da conta e os gastos no cartão de crédito. Além disso, conta ele, o banco estornaria gastos feitos antes do assalto.

Por nota, a assessoria de imprensa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que está atenta ao problema do roubo de celulares e a todos os temas relacionados à segurança. Segundo a federação, os aplicativos de bancos são seguros e dados de uso não ficam armazenados nos aparelhos.

“Os aplicativos contam com o máximo de segurança em todas as suas etapas, desde o seu desenvolvimento até a sua utilização. Não há registro de violação da segurança desses aplicativos, os quais contam com o que existe de mais moderno no mundo para este assunto.”

Para a especialista em Direito Digital do Martorelli Advogados, a advogada Nathália Grizzi, além da disposição de proteção feita pelos bancos digitais, o usuário também tem uma responsabilidade enorme quanto à segurança no sistema do seu dispositivo.

BLOQUEEI O CELULAR


Para a advogada, a primeira coisa a ser feita após o roubo do dispositivo é bloquear o celular. A medida evita que uma pessoa indevida tenha acesso às contas digitais do usuário, impedindo assim qualquer ocorrência de fraude.

“Tem mecanismos que você consegue acessar a sua conta no iPhone, entra na conta do iCloud e você bloqueia o seu iPhone. A pessoa pode estar com o seu celular mas não vai mexer em nada dentro dele. Eu tenho certeza que o mesmo sistema do IOS tem também no Android, então qualquer usuário desses dois sistemas de celular eles devem conseguir acessar pela nuvem e conseguir guardar o celular.”, explica Nathália Grizzi.

Ela explica também que a medida não se limita à segurança financeira, mas também à proteção de dados. “Você bloquear o celular é a melhor opção porque além do contato com o banco ou fazer qualquer tipo de movimentação, ainda tem uma infinidade de dados pessoais seus e de outras pessoas.”

Em caso de um roubo ou furto de um aparelho celular, a Febraban aconselha que o cliente também deverá avisar a operadora de telefonia para o bloqueio imediato de sua linha. Outras dicas para proteger o celular é evitar usar a mesma senha de um banco em outros aplicativos e anotar senhas de acesso ao banco em blocos de notas, email, mensagens de WhatsApp e outros locais do dispositivo. Além disso, é aconselhado usar o bloqueio da tela de início do celular e nunca usar “lembrar/salvar senha” em navegadores e sites.

AVISE AOS BANCOS

Feito o bloqueio, é hora de alertar aos bancos sobre as possibilidades e as ameaças com o roubo do celular.

“Não sabe como bloquear ou não tem como? Começa a ligar para os seus bancos, e para todos os serviços cadastrados em seu celular para informar que não é você, caso seja feito algum tipo de transação após o furto.”

A Febraban também orienta que em casos de roubo de celular, com aplicativos de contas digitais, o cliente deve notificar imediatamente ao banco para que medidas adicionais de segurança sejam adotadas, como bloqueio do aplicativo e senha de acesso.

AUTENTICAÇÃO E CRIPTOGRAFIA

Outra medida importante, levantada pela advogada, são as ferramentas de segurança como as autenticações e as criptografias. Para ela, isso dificultará ainda mais o acesso indevido às contas digitais.

“Traga a autenticação cada vez mais forte para o acesso ao seus aplicativos bancários, como a autenticação em dois fatores, autenticação por biometria em aplicativos bancários, email, whatsapp e todo e qualquer tipo de ferramenta que seja necessária. Também utilize de aplicativos de criptografia caso você mantenha senha ou qualquer outro dado importante armazenado. Tenha um aplicativo pago de criptografia para dar o mínimo de segurança para as suas senhas.”

CUIDADOS COM O PIX

Nathália Grizzi avalia que o maior perigo do PIX é o fato de ser instantâneo e irreversível, diferente do DOC e do TED que têm um tempo para o processamento nas instituições, e por isso, facilita o alerta para golpes ou transações indevidas.

“Quando você coloca uma chave pix, independente de ser CPF, número de telefone ou uma chave aleatória, sempre vai aparecer o dado da pessoa para quem você está transferindo. Toda transação deve ser conferida e ver compatibilidade de dados.”

“É importante ressaltar que as transações do Pix são totalmente rastreáveis, e, no caso de irregularidades, todos os envolvidos serão identificados e responderão pelos delitos.”

A Febraban também reforça cuidados com a ferramenta, como a limitação dos valores para transações e pagamentos na plataforma, que funciona desde abril de 2021. O usuário pode controlar seu limite no sistema de pagamento instantâneo, reduzindo ou aumentando o valor disponível.

“A funcionalidade está disponível no internet banking e nos aplicativos bancários na área “Meus Limites Pix. Com ela, o cliente poderá revisar e configurar o valor mais adequado para suas transações financeiras do dia a dia”, informa.

“CELULAR DO PIX”

Há muitos relatos de usuários que têm aderido a uma nova forma de garantir segurança das contas digitais: Adquirindo dois celulares, um para sair e outro para armazenar aplicativos de bancos, o chamado “celular do pix”. Mas a especialista conta que, ainda assim, é preciso ter cuidado, mesmo que o dispositivo esteja menos suscetíveis a roubos.

“Não basta que você tenha um celular, que você não saia com ele não rua, mas que ele esteja conectado à internet. Enquanto estiver conectado em rede, ele pode ser fraudado.”

Para isso, é necessário que sejam adotadas medidas de segurança para que isto não seja acessado por pessoas indesejadas ou alguém que quer acessar indevidamente o seu dispositivo que não é o seu.

“Se você clicar em links suspeitos, você pode ser fraudado. Se você entra em um site que tem algum tipo de Malware e você clica em algum link suspeito, isso também pode ser fraudado. Então não acontece somente em roubo ou furto de celulares, é em qualquer tipo de navegabilidade não confiável.”

LIMITES DE VALORES

A Febraban aconselha também que os clientes passem a utilizar recursos de limitação de transações, ajustando de acordo com suas necessidades e segurança.

“Os bancos possuem funcionalidades em seus aplicativos que permitem que o cliente ajuste os limites transacionais no celular para valores de sua conveniência, seguindo à risca as instruções normativas do Banco Central – n° 20, de 25/9/2020 e n° 71 de 21/1/2021 –, que tratam sobre o tema.”

COM A PALAVRA, A NEXT

“O next esclarece que adota diversas medidas preventivas de segurança para proteger as contas dos clientes, principalmente quando movimentações incomuns e indevidas são identificadas. Em caso de incidentes relativos a segurança, o next presta assistência por meio de todos seus canais de atendimento. O next orienta, nestes casos, que seja realizado o bloqueio da conta imediatamente. Caso não seja possível usar o celular, o cliente deve procurar o atendimento pelo 0800-275-6398.”

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