A Avareza ou A falta que faz uma gaveta no esquife

A avareza (avaritia) é considerada por alguns como o segundo mais perigoso pecado capital e o animal que o simboliza é o sapo.

Interessante notar que dos sete pecados capitais é a avareza que tem referência mais explícita nos Dez Mandamentos (Êxodo 20:17), na medida em que está expresso como décimo mandamento da lei mosaica: “Não cobiçaras a casa do teu próximo, não cobiçaras a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.”

São Tomás de Aquino entendia que o vício da avareza está ligado a uma desordenada ambição de dinheiro. Entende-se que o vício da avareza compreende dois componentes: obter o que não se tem e preservar o que se tem. Nesse diapasão, a avareza parece assemelhar-se ao vício da inveja e também tenderia a ser o motor gerador de outros pecados, tais como a fraude e a violência, para obter o que se deseja, e a indiferença e o egoísmo, para preservar o que se tem.

Imagem: ReproduçãoDetalhe do quadro Detalhe do quadro "Os Sete Pecados Capitais" referente à avareza, pintado por Hieronymous Bosch (1450-1516)

Um dos episódios mais interessantes e contundentes do contexto bíblico sobre o vício da avareza e sua irmã, a inveja, é a passagem descrita em 1Reis 21:1-20. Trata-se da história que envolve Jezabel e Acab. Jezabel era uma princesa fenícia que veio a casar com o rei Acab, de Israel, como resultado de uma aliança entre os dois países.

O rei Acab procurava governar dando liberdade religiosa a seus súditos, em especial em razão da aliança com outros países, como a Fenícia, que adoravam o deus Baal. Em razão da personalidade forte da rainha Jezabel, os interesses dos sacerdotes fenícios passaram a prevalecer na corte real. A resistência à política religiosa real foi encabeçada pelo profeta Elias, que teve que fugir para o reino de Judá em razão da perseguição real aos profetas de Javeh.

Pois bem, certa feita houve um incidente envolvendo uma vinha que pertencia a Nabote, de Jizreel, que ficava ao lado do palácio de Acab. O rei tentou comprar a vinha sem sucesso. Sua esposa, mulher determinada e independente, que não se preocupava com os meios para obtenção dos fins, ao saber do evento tramou a morte Nabote e tomou a vinha para o rei.
O profeta Elias ao saber do ocorrido profetizou que cães devorariam Jezabel no campo de Jizreel. Um comandante chamado Jeú liderou uma revolta vitoriosa contra a família real e o corpo da rainha foi jogado da janela do palácio pelos próprios eunucos reais e comido pelos cães.

Boa sorte a (nós) todos.

José Anastácio de Sousa Aguiar



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Sobre o autor

Anastácio Aguiar é Psicanalista, Hipnólogo e Terapeuta de vidas passadas e escreve a Coluna desde 2008.