A Controladoria-Geral da União (CGU) anunciou que tomará uma série de medidas contra o servidor David Cosac Junior, acusado de espancar uma mulher e uma criança de 4 anos após uma discussão ocorrida no dia 7 de dezembro, em Brasília.
As medidas foram anunciadas por meio de nota oficial, na qual o ministro-chefe da CGU, Vinícius Marques de Carvalho, informou que proibiu o servidor de ingressar nos prédios do órgão enquanto as investigações estiverem em andamento, além da revogação imediata de sua designação como substituto eventual da chefia imediata. “Recebi, com indignação, as informações e imagens veiculadas na imprensa que mostram agressões praticadas por um servidor da Controladoria-Geral da União contra uma mulher e uma criança. Os fatos são gravíssimos e inaceitáveis”, afirmou o ministro-chefe.
O homem tem 49 anos e segue em liberdade, recebendo um salário mensal de R$ 25 mil como auditor da CGU. O caso foi revelado na terça-feira pela coluna de Mirelle Pinheiro, do Metrópoles.
Entenda
Nas imagens do circuito interno de segurança, a mulher aparece segurando a criança quando o auditor desfere tapas no menino. As vítimas caem no chão; contudo, David Cosac continua com as agressões.
A mãe da criança chega a deitar sobre o menino, na tentativa de evitar os ataques, mas o acusado segue desferindo tapas na cabeça da criança. Moradores do prédio relataram ainda que chegaram a telefonar para a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
Ao chegarem ao local, os policiais foram recebidos pelo subsíndico e por David, que relatou ter encerrado um relacionamento com a mulher e que os dois haviam se desentendido. Ele ligou para a vítima, que informou ao agente da delegacia não ter interesse em registrar boletim de ocorrência contra o ex-namorado.
Confira a nota da CGU:
“Recebi, com indignação, as informações e imagens veiculadas na imprensa que mostram agressões praticadas por um servidor da Controladoria-Geral da União contra uma mulher e uma criança. Os fatos são gravíssimos e inaceitáveis.
Quero ser claro ao dizer que violência contra a mulher e contra crianças é crime. Não se trata de desentendimento, conflito privado ou questão pessoal. Estamos falando de agressão, de violação à lei e de afronta à dignidade humana.
O enfrentamento à violência contra a mulher é uma prioridade do Governo do Brasil e um dever das instituições públicas. A Controladoria-Geral da União reafirma, de forma inequívoca, o compromisso com os direitos humanos, com a ética e com a integridade do serviço público, e não vai se omitir diante de episódios como esse.
No campo criminal, os fatos devem ser apurados pelas autoridades competentes, nos termos da legislação penal.
No âmbito administrativo, a CGU já adotou providências imediatas. Os fatos divulgados indicam violação grave aos deveres funcionais previstos na Lei nº 8.112/1990, especialmente ao artigo 116, inciso IX, que impõe ao servidor público o dever de manter conduta compatível com a moralidade administrativa.
Diante disso, determinei:
-O encaminhamento das notícias do fato à Corregedoria-Geral da União (CRG) e à Comissão de Ética da CGU, com a imediata abertura de investigação preliminar de responsabilidade, para apuração das responsabilidades ética e disciplinar, no âmbito das competências administrativas;
-A revogação imediata da designação do servidor como substituto eventual da chefia imediata, com publicação da determinação em edição extraordinária do Diário Oficial da União ainda nesta terça-feira (23/12);
-A proibição de ingresso do servidor nos prédios da Controladoria-Geral da União, enquanto as apurações estiverem em andamento, como medida administrativa necessária à preservação do ambiente institucional e ao regular andamento das apurações.
A CGU vai acompanhar o caso e adotar todas as providências cabíveis dentro das próprias atribuições, com rigor, responsabilidade e respeito ao devido processo legal.”