A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, com 493 votos a favor e nenhum contrário, o projeto que isenta do Imposto de Renda (IR) quem recebe até R$ 5 mil mensais. A medida, considerada uma das principais bandeiras do governo para 2026, também prevê a criação de um imposto mínimo para altas rendas, a taxação de dividendos acima de R$ 50 mil e mecanismos para compensar a perda de arrecadação de estados e municípios. A proposta ainda precisa ser analisada pelo Senado.

De acordo com o texto aprovado, trabalhadores que recebem até R$ 5 mil por mês não pagarão Imposto de Renda. O desconto aplicado será de R$ 312,89 mensais, o que, ao longo do ano, somado ao 13º salário, representa uma economia de R$ 4.067 em comparação às regras atuais. O relator Arthur Lira (PP-AL) afirmou que a proposta buscou consenso, tendo acatado três das mais de 90 emendas apresentadas antes da votação.

Foto: Jonas Pereira/Agência Senado
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Desconto progressivo

Para rendas entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, haverá um desconto progressivo que diminui conforme o salário aumenta. A partir de R$ 7.350, não haverá aplicação da nova regra, permanecendo válida a tabela atual do IR, que prevê alíquotas de até 27,5% sobre as faixas mais altas. Dessa forma, quem ganha acima desse valor não será beneficiado pela ampliação da isenção.

Exemplos de impacto

Simulações mostram o efeito prático da mudança. Um contribuinte com renda de R$ 4 mil mensais deixará de pagar R$ 114,40 por mês, acumulando economia de R$ 1.487,20 por ano. Quem recebe R$ 5 mil terá isenção total, economizando R$ 312,50 por mês ou R$ 4.062,50 anuais. Já para salários de R$ 6 mil e R$ 7 mil, a economia será de R$ 179,40 e R$ 46,20 por mês, respectivamente. Para quem ganha R$ 8 mil, não haverá alteração na cobrança.

Imposto mínimo para altas rendas

Com o objetivo de equilibrar a arrecadação, o projeto cria o Imposto de Renda Pessoa Física Mínimo (IRPFM), aplicado a quem recebe mais de R$ 50 mil mensais. A alíquota varia de 0% a 10% e só será aplicada caso o valor recolhido pelo contribuinte seja inferior a esse limite. Na prática, profissionais com altos salários já tributados em alíquotas maiores não serão afetados, mas a medida busca atingir rendas que não eram contempladas pelo sistema atual.

Taxação de dividendos

Outra medida central é a retomada da taxação de dividendos, que estavam isentos desde 1995. A proposta prevê cobrança de 10% sobre valores mensais acima de R$ 50 mil, retidos na fonte. Para evitar bitributação, foi incluído um mecanismo redutor que limita a carga tributária total: 34% para empresas em geral, 40% para seguradoras e 45% para instituições financeiras. Caso esses percentuais sejam ultrapassados, haverá restituição, que pode ser repassada aos acionistas.

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Dividendos de 2025

Uma emenda aprovada na reta final estabeleceu que dividendos referentes ao exercício de 2025 só serão isentos se aprovados até 31 de dezembro deste ano e pagos até 2028. Isso significa que empresas que fecharem balanços em 2026 já estarão sujeitas à nova alíquota. A medida busca impedir que empresas adiem distribuições de lucros para escapar da cobrança.

Investimentos isentos

O relatório final também especifica que rendimentos de investimentos incentivados, como LCIs, LCAs, CRIs, CRAs, fundos imobiliários e Fiagros, ficam fora da base de cálculo do imposto mínimo para altas rendas. Assim, esses títulos seguem com isenção tributária, mantendo atratividade para investidores e diferenciando-os de outros tipos de rendimento que passarão a compor a base de cálculo do IR.