O setor público consolidado do Brasil (que inclui União, estados, municípios e estatais) registrou déficit primário de R$ 17,5 bilhões em setembro, segundo dados do Boletim de Estatísticas Fiscais divulgados nesta sexta-feira (31) pelo Banco Central (BC). O número representa o saldo negativo entre receitas e despesas do período, sem considerar o pagamento de juros da dívida pública.
O resultado é mais do que o dobro do registrado em setembro de 2024, quando o déficit havia sido de R$ 7,3 bilhões. Por outro lado, a dívida bruta do país manteve-se praticamente estável, passando de 78,3% para 78,1% do Produto Interno Bruto (PIB).
Na véspera, o Tesouro Nacional já havia informado que as contas do governo central - composto por Tesouro, Banco Central e Previdência Social - tiveram déficit de R$ 14,5 bilhões no mesmo mês.
Déficit concentrado no governo central
Entre os componentes do setor público, o governo central e os governos regionais registraram déficits de R$ 14,9 bilhões e R$ 3,5 bilhões, respectivamente. As empresas estatais, por outro lado, apresentaram superávit de R$ 1 bilhão.
Nos últimos 12 meses, o setor público consolidado acumula déficit primário de R$ 33,2 bilhões, o equivalente a 0,27% do PIB, ampliando o saldo negativo em relação aos R$ 23,1 bilhões (0,19% do PIB) observados até agosto.
Dívida pública cresce e chega a R$ 9,7 trilhões
A dívida bruta do governo geral (DBGG) atingiu 78,1% do PIB, o que corresponde a R$ 9,7 trilhões. O indicador engloba o INSS, o governo federal, os estados e os municípios.
Segundo o BC, a alta da dívida resulta de juros nominais apropriados, emissões líquidas de dívida, valorização cambial e variação do PIB nominal. No acumulado de 2025, a DBGG subiu 1,6 ponto percentual do PIB.
A dívida líquida do setor público (DLSP) - que desconta das obrigações o valor das reservas e aplicações financeiras — também aumentou, chegando a 64% do PIB (R$ 8,1 trilhões), com avanço de 0,6 ponto do PIB em setembro e de 3,3 pontos no ano.
O Banco Central destacou que o resultado reflete, além do déficit primário, o impacto dos juros elevados e da valorização do dólar, que aumentam o custo da dívida pública.