A arrecadação de impostos federais alcançou R$ 230,1 bilhões em maio deste ano, registrando o maior valor para o mês em 30 anos, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (26) pela Receita Federal . O montante representa um crescimento real de 7,7% em relação a maio de 2024 e foi impulsionado, entre outros fatores, pelo aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), adotado pelo Governo Lula para reforçar o caixa e cumprir as metas fiscais.

Apesar do resultado expressivo, a estratégia de elevação do IOF sofreu um revés na última quarta-feira (25), quando o Congresso Nacional derrubou o decreto presidencial que instituía o aumento do imposto. A revogação contou com ampla maioria, inclusive entre parlamentares de partidos da base governista. Com isso, o governo estima uma perda de arrecadação de até R$ 12 bilhões, embora a Receita ainda não tenha divulgado o impacto exato. “Assim que sair o decreto legislativo, vamos fazer a aferição precisa da arrecadação entre o período que [o decreto] vigorou e o que vai deixar de vigorar. Só aí teremos os efeitos precisos do impacto da decisão”, explicou Claudemir Malaquias, chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasi
Dinheiro

Do total arrecadado em maio, R$ 223,8 bilhões vieram de receitas administradas diretamente pela Receita, como Imposto de Renda, IPI e o próprio IOF. Os demais R$ 6,4 bilhões são referentes a outras fontes, como royalties e depósitos judiciais. A divulgação dos números foi a primeira realizada oficialmente em 2025, após a paralisação parcial das atividades da Receita devido à greve dos servidores, iniciada em novembro do ano passado.

No acumulado de janeiro a maio, a arrecadação federal somou R$ 1,2 trilhão — também um recorde para o período — com alta real de 3,95% em comparação ao mesmo intervalo de 2024, quando o valor foi de R$ 1,1 trilhão.

Segundo a Receita Federal, o bom desempenho da arrecadação se deve ao cenário macroeconômico mais favorável, ao aumento do Imposto de Renda sobre ganhos de capital — influenciado pela taxa básica de juros (Selic) — e ao crescimento da arrecadação de tributos ligados ao comércio exterior. Nesse setor, contribuíram para o avanço o aumento do volume de importações, a valorização do dólar frente ao real e a elevação das alíquotas médias efetivas sobre produtos importados. “Isso não significa que a gente aumentou as alíquotas dos produtos, mas que, na cesta de comparação, os contribuintes estão preferindo comprar produtos que estão sendo taxados a alíquotas mais altas”, explicou Marcelo Gomide, coordenador de previsão e análise.

A Receita também destacou que, ao contrário de anos anteriores, maio não contou com eventos extraordinários que distorcessem os dados, como a tributação de fundos exclusivos ocorrida em 2024. Houve, no entanto, medidas emergenciais que afetaram a arrecadação, como a postergação do pagamento de tributos para contribuintes do Rio Grande do Sul devido à tragédia climática enfrentada pelo estado. Outro dado relevante foi o aumento da arrecadação com sites de apostas online, que somou R$ 3 bilhões no acumulado do ano até maio.

Sem anúncio no momento