A reunião entre representantes dos governos do Brasil e da Rússia , prevista para esta quinta-feira (05), em Brasília , ocorre em meio a uma disputa pelo mercado brasileiro de fertilizantes, com a Rússia tentando conter o avanço da China como fornecedora do insumo. O tema envolve além de interesses econômicos, impactos políticos e estratégicos.

A comercialização de fertilizantes russos tem sido um dos pilares da boa relação entre os dois países, enquanto os Estados Unidos passaram a sinalizar, em sua Estratégia de Segurança Nacional de 2025, preocupação com a ampliação da influência de outras potências na América Latina.

Foto: Arquivo CCom

Dados oficiais mostram que, em 2024, o Brasil importou 44,3 milhões de toneladas de fertilizantes, com a Rússia respondendo por 27,3% do total e a China por 14,2%. Em 2025, as importações subiram para 45,5 milhões de toneladas, mas a participação russa caiu para 25,9%, enquanto a chinesa teve uma crescente de 18,8%.

O avanço da China é atribuído, à reorganização das cadeias globais de insumos, influenciada por conflitos internacionais, instabilidade logística e custos elevados. Além disso, produtores brasileiros passaram a optar por fertilizantes de menor concentração de nutrientes, o que favoreceu fornecedores com maior escala e flexibilidade, especialmente os chineses.