O GPA, grupo varejista responsável pelas redes Pão de Açúcar e Extra , anunciou nesta terça-feira (10) que entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas estimadas em R$ 4,5 bilhões. A informação foi divulgada ao mercado pela Companhia Brasileira de Distribuição, nome formal da empresa.

De acordo com o comunicado, cerca de 40% do total do passivo vence em até 12 meses, o que pressionou o caixa da companhia e levou à adoção da medida para reorganização financeira.

Foto: Divulgação/GPA
Grupo Pão de Açúcar (GPA)

O plano de recuperação extrajudicial envolve obrigações de pagamento sem garantia que não correspondem a dívidas operacionais ou correntes da empresa. Estão fora do processo débitos com fornecedores, parceiros e clientes, além de obrigações trabalhistas, que não serão afetadas pela iniciativa.

Segundo o GPA, a estratégia foi negociada com alguns dos principais credores da companhia, entre eles Itaú, HSBC, Rabobank e BTG Pactual. Juntas, essas instituições detêm cerca de 46% dos créditos sujeitos ao plano, o equivalente a aproximadamente R$ 2,1 bilhões, percentual superior ao quórum mínimo legal de um terço exigido para esse tipo de processo.

A medida prevê ainda a suspensão do pagamento de juros e de execuções judiciais relacionadas às dívidas por um período de 90 dias. Durante esse prazo, a empresa pretende obter a adesão da maioria dos credores e construir uma solução que permita equilibrar a liquidez de curto prazo e garantir a sustentabilidade financeira da companhia no longo prazo.

Ações registram queda na Bolsa

Após o anúncio da recuperação extrajudicial, as ações do GPA registraram queda na B3. Na manhã desta terça-feira, por volta das 10h30, os papéis ordinários da empresa recuavam 5,86%. Já às 11h30, a desvalorização era menor, com queda de 2,93%.

Sem anúncio no momento

O movimento reflete a reação inicial do mercado ao anúncio da reestruturação das dívidas do grupo varejista.