O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que a dívida pública brasileira deve alcançar o equivalente a 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, primeiro ano do próximo governo. A estimativa consta no relatório Monitor Fiscal divulgado nesta quarta-feira (15), durante as reuniões de Primavera do organismo, em Washington, nos Estados Unidos.

Segundo o FMI, o Brasil deve atingir esse patamar antes mesmo da média global. A previsão é que a dívida pública mundial chegue a 100% do PIB apenas em 2029.

Trajetória de alta desde 2023

O relatório aponta que a dívida brasileira vem crescendo desde 2023, início do atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para este ano, a estimativa é de que o indicador alcance 96,5% do PIB, o maior nível desde 2020, período marcado pelos impactos fiscais da pandemia de Covid-19.

As projeções atualizadas pioram o cenário traçado anteriormente pelo FMI. Em outubro do ano passado, a previsão era de que a dívida atingisse 98,1% do PIB apenas em 2030. Agora, a expectativa é que esse índice chegue a 105,5% já no início da próxima década.

Caso não haja mudanças no cenário fiscal, o organismo estima que a dívida brasileira pode alcançar 106,5% do PIB até 2031.

Déficit deve continuar nos próximos anos

O FMI também revisou suas expectativas para as contas públicas brasileiras no curto prazo. A projeção é de déficit primário de 0,5% do PIB em 2026, após um resultado negativo de 0,4% no ano anterior. A meta do governo é zerar o déficit, com margem de tolerância.

Sem anúncio no momento

De acordo com o fundo, o Brasil só deve voltar a registrar superávit primário em 2028, quando o resultado positivo deve ser de 0,1% do PIB. Até lá, o país pode acumular anos consecutivos de contas no vermelho desde o último superávit, registrado em 2022.

Indicador é observado por investidores

A dívida bruta em relação ao PIB é um dos principais indicadores de solvência de um país e costuma ser acompanhada de perto por investidores e agências de classificação de risco.

O FMI utiliza uma metodologia própria para calcular o indicador, incluindo títulos do Tesouro detidos pelo Banco Central, o que permite comparações internacionais mais padronizadas.

Apesar do cenário desafiador no curto prazo, o organismo projeta melhora gradual das contas públicas brasileiras a partir do fim da década, com expectativa de superávits mais consistentes até 2031.