A dívida pública bruta do Brasil chegou a R$ 10,4 trilhões em abril de 2026, equivalente a 80,4% do Produto Interno Bruto ( PIB ). O percentual representa alta em relação a março, quando o índice estava em 80,1% do PIB. Em abril de 2025, o patamar era de 78,7%.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (29) pelo Banco Central do Brasil, por meio do Relatório de Estatísticas Fiscais.

Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil
Banco Central

Segundo o BC, o crescimento da dívida foi impulsionado principalmente pelo aumento dos gastos com juros. Nos últimos 12 meses, os juros pagos pelo setor público passaram de R$ 69,7 bilhões para R$ 84,8 bilhões.

Apesar da alta, o avanço do PIB e a valorização do real frente a outras moedas ajudaram a reduzir parte da pressão sobre o endividamento.

Estatais ampliaram déficit

O relatório também apontou que as estatais contribuíram para o resultado negativo das contas públicas, acumulando déficit de R$ 1,8 bilhão. No setor público consolidado, o déficit acumulado em 12 meses chegou a R$ 126,6 bilhões, o equivalente a 0,97% do PIB.

De acordo com o Banco Central, o cenário é influenciado tanto pelo aumento dos gastos públicos quanto pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Sem anúncio no momento

Os dados foram divulgados em meio às tentativas do governo federal de aliviar o orçamento das famílias e reduzir os impactos do alto custo de vida em ano eleitoral.

Na quinta-feira (28), o Banco Central informou que a inadimplência bancária, referente a atrasos superiores a 90 dias em operações de crédito, atingiu 4,4%, o maior nível desde o início da série histórica, em 2011.

O endividamento das famílias também segue elevado, embora tenha apresentado leve recuo, passando de 49,9% para 49,8% da renda.

Mesmo com o aumento da inadimplência, a oferta de crédito pelos bancos continua crescendo, com avanço de 8,9% nos últimos 12 meses.

Juros seguem elevados

O Comitê de Política Monetária (Copom) mantém uma política de juros restritiva diante das tensões internacionais e do cenário fiscal brasileiro.

Apesar da redução gradual da taxa Selic, que passou de 15% para 14,75% e depois para 14,50%, o crédito ainda permanece elevado para consumidores e empresas.

Segundo o Banco Central, o custo médio do crédito para pessoas físicas e jurídicas está em torno de 63% ao ano.