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Economia e Negócios

Dólar chega a R$ 5,53 e fecha no maior valor desde abril

A notícia de que três doses da Pfizer são eficazes contra a Ômicron ajudou para o bom humor no mercado.
Por Estadão Conteúdo

O aumento do otimismo no exterior, diante de notícias favoráveis sobre a eficácia das vacinas contra a variante Ômicron, somado ao andamento da PEC dos Precatórios e a decisão do Copom para a taxa Selic, contribuíram para a queda de 1,49% do dólar nesta quarta-feira, 8, que fechou cotado a R$ 5,5348 - no menor valor desde 17 de novembro. Já a Bolsa brasileira (B3), apoiada na melhora do mercado de Nova York já no final do pregão, subiu 0,50%, aos 108.095,53 pontos - maior patamar desde 25 de outubro

O principal indutor para a apreciação do real veio do exterior, em dia marcado por enfraquecimento do dólar tanto em relação a divisas fortes quanto emergentes, na esteira da redução dos temores relacionados aos impactos da variante Ômicron do coronavírus sobre a economia global, após a farmacêutica Pfizer informar que três doses de sua vacina são eficazes contra a nova cepa.

Mesmo assim, o dia ainda foi marcado por alguma cautela sobre o tema, principalmente após o diretor-geral da Organização Mundical da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, dizer que a variante já foi identificada em 57 países - e o número deve subir. Além disso, há um temor entre os investidores, que deve oscilar nos próximos dias, de que a variante leve a novos lockdowns, que prejudiquem a já vacilante atividade global.

"O medo com o coronavírus ressurgiu, com algumas restrições sendo reimpostas na Europa. Até o momento, o impacto na atividade parece modesto, mas será o suficiente para ver as economias na Zona do Euro e em parte da Europa emergente a desacelerar no quatro trimestre", aponta a consultoria Capital Economics em relatório publicado hoje.

Ao apetite ao risco no exterior somou-se a percepção de menor risco fiscal, na esteira da expectativa pela promulgação, mesmo que parcial, da PEC dos Precatórios (concretizada no fim do dia), após acordo costurado entre os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Embora esperado e em boa medida já incorporado à taxa de câmbio, o anúncio - realizado pouco após o fechamento do mercado - de alta da taxa Selic em 1,50 ponto porcentual, para 9,25%, pelo Comitê de Política Monetária (Copom), contribuiu para dar fôlego ao real.

Afora uma pequena alta pela manhã, quando registrou a máxima do dia, a R$ 5,6362, valorização de 0,32%, o dólar operou em terreno negativo durante todo o pregão, rompendo momentaneamente a linha de R$ 5,52 no início da tarde, quando registrou mínima a R$ 5,5267, em baixa de 1,63%. A moeda americana acumula queda de 2,55% na semana, mais do que devolvendo a alta de 1,50% na semana passada, quando chegou a flertar com os R$ 5,70.

"Existe um apetite ao risco no exterior que está beneficiando todas as moedas emergentes. Tem essa percepção de que a ômicron, embora tenha contágio rápido, não é tão letal e que as vacinas são capazes de contê-la", afirmou a economista-chefe do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte, acrescentando que, internamente, o mercado também se anima com a proximidade do "fim da novela" da PEC dos Precatórios. "A taxa de câmbio se ajusta a esse clima de otimismo no mercado, mas continua longe de estar em patamares bons".

Para Ricardo Gomes da Silva, diretor da corretora Correparti, o alívio na taxa de câmbio deve ter vida curta. O mercado pode voltar a se estressar na próxima semana por conta de dois eventos: a votação, no plenário da Câmara dos Deputados, da parte da PEC alterada pelo Senado e a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), com provável anúncio de aceleração da redução de estímulos. "A verdade é que a questão da PEC ainda não foi resolvida. É preciso ver como vai ser a votação na Câmara. O dólar pode recuperar o patamar de R$ 5,60 na semana que vem", afirma Gomes da Silva.

Bolsa

Pela manhã, o quadro pandêmico, diante da Ômicron, chegou a pesar nos negócios, com os mercados europeus fechando em queda - a Bolsa de Londres caiu 0,03%, a de Frankfurt, 0,80% e a de Paris, 0,72%. O mau humor chegou a afetar o mercado de Nova York durante boa parte da sessão, mas os índices se recuperaram no final, com o Dow Jones em alta de 0,10%, o S&P 500, de 0,31% e o Nasdaq, de 0,64%

Hoje, o Ibovespa emendou sua quinta alta seguida - na mínima do dia, chegou aos 107.308,60 pontos, baixa de 0,23%. Na máxima, tocou os 108.520,82, alta de 0,90%. No cenário doméstico, apesar da disposição dos investidores de emplacar um rali em dezembro, após cinco meses de queda, o resultado das vendas no varejo pelo IBGE pesou negativamente e impediu uma alta robusta. As vendas do comércio varejista caíram 0,1% em outubro ante setembro, pior que a mediana de alta de 0,6%. Na comparação com outubro de 2020, a queda foi de 7,1%, também pior que o esperado.

"O volume de vendas varejistas recuou, num contrário do consenso. Frustrou a expectativa de mercado no setor de consumo, que está muito amassado na bolsa", disse Cássio Bambirra, sócio da One Investimentos, citando que o índice setorial do consumo, apesar de ter terminado hoje no positivo, acumula uma das piores quedas anuais, de mais de 23,84%, ante 9,18% do Ibovespa. Destaque para a queda das ações da Magazine Luiza, que lideravam as perdas do índice hoje, encerrando o dia com recuo de 10,63%.

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