O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) afirmou, nessa sexta-feira (5), que a decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de indicar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como seu candidato ao Palácio do Planalto em 2026 representa, segundo ele, um gesto voltado à “pacificação nacional”. A declaração foi feita após Bolsonaro, atualmente preso na carceragem da Polícia Federal em Brasília, comunicar a aliados que escolheu o filho mais velho para assumir a disputa presidencial.
Em sua manifestação, Nikolas afirmou que a decisão do ex-presidente vai além da definição eleitoral e envolve, segundo ele, uma tentativa de diminuir conflitos que afetam famílias e produzem divisões políticas no país. O deputado mencionou que há pessoas presas que, na visão dele, enfrentam situações consideradas injustas e que a escolha de Flávio poderia abrir caminho para discussões sobre anistia. Ele defendeu que o Brasil vive um contexto de polarização que, segundo seu discurso, teria provocado consequências sociais e institucionais.
“Bolsonaro escolheu Flávio para a próxima disputa. Alguns olham apenas a eleição… mas quem sente o Brasil sabe que há algo maior em jogo. Essa decisão carrega um pedido urgente de pacificação nacional. O país não aguenta mais viver dividido, famílias destruídas, inocentes atrás das grades enquanto a política vira palco de perseguição. Que essa escolha ajude a abrir o caminho para a anistia e para que brasileiros injustamente presos voltem para casa. Hoje, mais do que nunca estamos falando em libertar quem nunca deveria ter perdido a liberdade”, disse o deputado.
Escolha de Flávio Bolsonaro
A sinalização de Bolsonaro para lançar Flávio como candidato ocorreu em conversas com aliados ocorridas ao longo da semana. Trata-se da primeira vez que o ex-presidente manifesta publicamente seu apoio ao filho primogênito para disputar a Presidência. Nos bastidores, interlocutores relatam que Bolsonaro avalia que Flávio poderá ganhar projeção nacional à medida que intensifique viagens, encontros com lideranças e compromissos políticos em diferentes regiões do país. A expectativa é que essa movimentação contribua para consolidar sua posição dentro do PL.
Aliados próximos afirmam que Bolsonaro considera Flávio capaz de reunir diferentes setores partidários e garantir apoio de governadores alinhados ao bolsonarismo. Entre eles estão Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, e Cláudio Castro (PL), no Rio de Janeiro, que são citados como peças fundamentais para a construção de um palanque amplo. Além disso, figuras do entorno do ex-presidente destacam que, dentro da própria família Bolsonaro, Flávio é visto como o nome mais adequado para interagir com partidos de centro e lideranças do Congresso, por adotar um estilo considerado mais moderado.
A possível composição da chapa também entrou no debate entre aliados. O cenário mais provável indica que Michelle Bolsonaro deve disputar o Senado pelo Distrito Federal, enquanto o posto de vice na chapa presidencial de Flávio deve ser oferecido a um partido do centro, como estratégia para atrair apoio de setores moderados e ampliar alianças. No campo governista, dirigentes do PT defendem que Geraldo Alckmin (PSB) volte a ocupar a vice em um eventual novo mandato de Lula, repetindo a aliança formada nas eleições de 2022.