O ministro da Fazenda, Fernando Haddad , deverá deixar o Governo Federal na próxima semana para disputar o Governo de São Paulo nas eleições deste ano. A decisão já é tratada como definida por colaboradores próximos, que antes demonstravam dúvidas sobre a disposição do ministro em entrar na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Antes do lançamento oficial da candidatura, Haddad pretende fazer uma pausa e iniciar a organização do palanque eleitoral no estado.

Entre as primeiras tarefas do ministro estará a definição da composição da chapa majoritária. Haddad costuma dizer a aliados que a escolha do vice precisa ser alguém de sua confiança. A movimentação política ocorre após conversas recentes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva , com quem se reuniu em um jantar no fim do mês passado para tratar do futuro político. Antes disso, os dois também tiveram um encontro reservado durante um café em São Paulo.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Lula e Fernando Haddad

Nos bastidores do governo e do Partido dos Trabalhadores, a candidatura do ministro já era tratada como encaminhada. O presidente do PT, Edinho Silva, vinha repetindo essa avaliação em conversas com aliados. Apesar disso, auxiliares diretos de Haddad ainda demonstravam incerteza sobre a decisão até recentemente, cenário que mudou nas últimas semanas com a consolidação do projeto eleitoral.

A articulação política também inclui a possibilidade de as ministras Marina Silva, do Meio Ambiente, e Simone Tebet, do Planejamento, disputarem vagas no Senado por São Paulo na mesma chapa. Para isso, ambas devem mudar de partido. A tendência é que Marina deixe a Rede Sustentabilidade e se filie ao Partido dos Trabalhadores, enquanto Tebet pode sair do Movimento Democrático Brasileiro para ingressar no Partido Socialista Brasileiro. No caso da ministra do Planejamento, também será necessário transferir o domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo.

Aliados relatam que Haddad demonstrava receio de disputar o cargo e acabar derrotado nas urnas, mas o presidente Lula argumentava sobre a necessidade de uma candidatura competitiva no maior colégio eleitoral do país. A ascensão do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas também pesou na decisão do ministro. Levantamento do Datafolha indica que Haddad aparece como o nome mais conhecido do campo da esquerda na disputa. Em cenário estimulado com cinco candidatos, o governador Tarcísio de Freitas lidera com 44% das intenções de voto, seguido por Haddad com 31%, enquanto Paulo Serra e Kim Kataguiri aparecem com 5% cada, e Felipe D'Avila registra 3%. A pesquisa também aponta que 50% dos entrevistados dizem conhecer bem Haddad, índice próximo ao de Tarcísio, citado por 47%.

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