A situação entre Caracas e Washington teve mais um desdobramento nesta semana, quando o regime venezuelano anunciou mobilizações contínuas nos arredores do Caribe. Neste sábado (15), o ditador Nicolás Maduro ordenou que moradores de seis estados organizem vigílias e atos diários visando à contenção da retomada das manobras militares norte-americanas em Trinidad e Tobago.

O chefe venezuelano afirmou que a iniciativa busca reunir estruturas civis, unidades militares e forças de segurança. Maduro disse que os grupos devem agir de forma coordenada e manter bandeiras venezuelanas expostas em sinal de resistência. De acordo com ele, a articulação tem o objetivo de responder ao que descreveu como riscos externos vindos do litoral caribenho.

A convocação envolve Bolívar, Delta Amacuro, Monagas, Anzoátegui, Sucre e Nova Esparta, regiões que ficam próximas ao Arquipélago de Trindade e Martim Vaz. Maduro vê a movimentação norte-americana como ameaça direta à estabilidade local e acusa Washington de incentivar ações hostis. Ele criticou, ainda, o governo de Trinidad e Tobago por permitir as operações conjuntas.

Foto: Reprodução/Instagram
Nicolás Maduro

As medidas realizadas entre a Marinha dos EUA e as Forças de Defesa de Trinidad e Tobago foram confirmadas pelo ministro Sean Sobers, que informou a volta dos militares ao país caribenho. Em outubro, ações semelhantes ocorreram com a presença do navio USS Gravely. Na época, Caracas culpou os governos trinitino e norte-americano de organizarem uma operação clandestina e romperem um acordo energético. A primeira-ministra Kamla Persad-Bissessar chegou a ser declarada persona non grata.

A tensão entre os países aumentou nesta sexta-feira (11), quando o Pentágono relatou um ataque a uma embarcação suspeita de transportar drogas próximo à costa venezuelana. A ação faz parte de uma ofensiva antidrogas que teve início em setembro e que, até o momento, já destruiu cerca de 20 barcos e matou dezenas de suspeitos ligados a redes consideradas terroristas pelo governo de Donald Trump.

Para o regime chavista, as operações realizadas pelos Estados Unidos são, na verdade, um pretexto para enfraquecê-lo. Donald Trump declarou que já tomou uma decisão sobre a Venezuela, mas não entrou em detalhes.

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