O professor brasileiro Carlos Portugal Gouvêa foi preso nos Estados Unidos , após o Departamento de Estado revogar seu visto temporário. A detenção ocorreu na última quarta-feira (4) pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), depois de um incidente envolvendo o disparo de uma arma de pressão perto do Templo Beth Zion, em Brookline, na véspera do Yom Kippur.
Gouvêa atuou como professor visitante na Faculdade de Direito de Harvard durante o semestre de outono. No Brasil, é livre-docente em Direito Comercial pela Universidade de São Paulo. Até o momento, o professor não comentou o caso, e Harvard também optou por não se manifestar.
A episódio ocorreu em outubro deste ano, quando um denunciante alegou às autoridades que uma pessoa estaria portando uma arma próxima à sinagoga. No boletim de ocorrência, Gouvêa afirmou que usava uma espingarda de chumbinho para caçar ratos na região. As autoridades locais, após avaliarem a situação, afirmaram que não houve indícios de motivação antissemita no ato.
No mês anterior, o professor firmou um acordo judicial, aceitando cumprir seis meses de liberdade condicional antes do julgamento. Ele também concordou em pagar uma indenização de US$ 386,59 (cerca de R$ 2 mil). Em contrapartida, a justiça retirou as acusações de perturbação da paz, conduta desordeira e vandalismo.
Embora o governo americano tenha classificado o episódio como um “incidente de tiro antissemita”, essa interpretação é contestada por autoridades locais e por parte da comunidade judaica. O Templo Beth Zion comunicou aos fiéis que a polícia concluiu que Gouvêa não sabia que residia ao lado de uma sinagoga nem que estava atirando próximo a um local sagrado durante um feriado religioso.
O Departamento de Segurança Interna informou que o professor concordou em deixar o país. A prisão acontece em um contexto de crescente pressão da Casa Branca sobre Harvard, que teria sido criticada por uma suposta postura negligente no enfrentamento do antissemitismo no campus. O episódio intensifica o clima de tensão entre a universidade e a atual administração federal.