O anúncio do novo tarifaço de Donald Trump contra o Brasil, que elevou de 10% para 50% as taxas sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, dominou os noticiários entre esta quarta (09) e quinta-feira (10). A resposta imediata do Governo Lula foi uma promessa de “reciprocidade”, acenando para uma escalada comercial.

No entanto, o histórico recente mostra que países que adotaram uma postura confrontadora diante de Trump acabaram recuando após sofrerem impactos econômicos e diplomáticos severos.

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Donald Trump

Desde o chamado “Dia da Libertação”, quando Trump revelou sua agenda tarifária para dezenas de nações, medidas similares de enfrentamento resultaram em derrotas políticas e recuos estratégicos por parte de governos que buscaram desafiar diretamente a Casa Branca.

China: de guerra tarifária a trégua com custo alto

Em 2 de abril, a China foi o principal alvo da nova política comercial de Trump, tendo suas exportações taxadas em até 145%. O governo de Xi Jinping respondeu com tarifas de até 125%, instaurando um impasse comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Após meses de tensão, os países chegaram a uma trégua em maio. Os EUA reduziram as tarifas para 30% e a China para 10%, com prazo de 90 dias para discutir um novo acordo. Apesar do alívio temporário, o prejuízo foi significativo: as exportações chinesas para os EUA despencaram 35% em maio, e a produção industrial do país desacelerou 5,8% nos cinco primeiros meses do ano. Especialistas avaliam que, mesmo após o acordo, a média tarifária permanece entre 40% e 50%, mantendo o clima de uma “Guerra Fria comercial”.

Colômbia: recuo diante de ameaça

A primeira investida tarifária bem-sucedida de Trump em seu segundo mandato foi contra a Colômbia. Após o presidente Gustavo Petro rejeitar publicamente a política migratória dos EUA, Trump retaliou com uma tarifa emergencial de 25% sobre produtos colombianos, prometendo aumentá-la para 50%.

Sem anúncio no momento

A pressão surtiu efeito em menos de uma semana. Em 27 de janeiro, Petro recuou e aceitou receber os imigrantes ilegais colombianos deportados dos EUA, inclusive em voos militares. A Casa Branca divulgou nota oficial anunciando o fim do impasse, e Petro chegou a republicar o comunicado americano, apagando-o minutos depois — uma manobra vista como sinal de submissão silenciosa à pressão de Washington.

Canadá: resistência seguida de recuo

O Canadá também tentou resistir às exigências de Trump ao propor a taxação de big techs americanas. Como resposta, o presidente dos EUA suspendeu as negociações comerciais com o governo canadense. Em seguida, Ottawa anunciou medidas de retaliação com tarifas de 25% sobre automóveis americanos que violassem regras do USMCA (ou T-MEC).

O primeiro-ministro Mark Carney chegou a afirmar que “a antiga relação de integração profunda com os EUA havia acabado”, chamando a nova realidade de “trágica”. No entanto, o discurso durou pouco: dois dias depois, o governo canadense recuou, retirou a proposta de taxação sobre as empresas de tecnologia dos EUA e sinalizou desejo de retomar as negociações comerciais.

Ainda assim, Trump anunciou na noite desta quinta-feira (10) uma nova tarifa de 35% sobre importações canadenses, acusando o país vizinho de retaliar em vez de cooperar.

Risco para o Brasil

O endurecimento do governo Lula diante da medida de Trump, embora retoricamente firme, desperta temores no setor produtivo e entre especialistas em comércio exterior. A promessa de “reciprocidade” pode seguir um caminho que já se provou arriscado e ineficaz. Os exemplos recentes indicam que a retaliação direta a Trump costuma levar a agravamentos nas relações e, em última instância, a recuos por parte dos países afetados.

Além disso, o embate ocorre em meio a uma crise diplomática maior, envolvendo investigações no Brasil contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e ameaças de sanções dos EUA, o que pode dar ainda mais combustível ao endurecimento do republicano contra o governo brasileiro.

Com uma economia ainda em recuperação, analistas alertam que o Brasil pode ter pouco espaço para bancar uma guerra comercial prolongada com os Estados Unidos.