O Governo da China voltou a criticar nesta segunda-feira (28) a tarifa de 50% que os Estados Unidos ameaçam impor sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. Em entrevista coletiva em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, afirmou que o país está “pronto” para colaborar com o Brasil na busca de alternativas comerciais “baseadas na equidade”.

“A China já deixou clara sua posição sobre os aumentos tarifários dos EUA ao Brasil. Gostaria de enfatizar que guerras tarifárias não têm vencedores e que práticas unilaterais não atendem aos interesses de ninguém”, declarou Guo, segundo transcrição divulgada pela chancelaria chinesa.

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Bandeira da China

O porta-voz reforçou a disposição do governo chinês em aprofundar a cooperação com Brasília, outros países da América Latina e membros do Brics. “A China está pronta para trabalhar com o Brasil e outros parceiros regionais para defender, em conjunto, o sistema multilateral de comércio centrado na OMC [Organização Mundial do Comércio], assim como os princípios de equidade e justiça internacionais”, afirmou.

As declarações ocorrem em um momento crítico: esta semana marca o fim do prazo para negociações voltadas a conter a escalada tarifária promovida pelos EUA contra diversos países. A medida afeta especialmente economias emergentes, como o Brasil, que têm se mobilizado para evitar impactos mais severos nas exportações.

Além disso, as falas de Guo coincidem com o início de um novo ciclo de diálogo entre delegações de Washington e Pequim, iniciado nesta segunda-feira em Estocolmo. As conversas visam reduzir as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo e estabelecer um acordo mais estável até o dia 12 de agosto. Atualmente, os EUA aplicam tarifas de até 55% sobre produtos chineses, enquanto Pequim impõe taxas de 10% sobre importações americanas.

A nova tarifa anunciada por Donald Trump, caso implementada, poderá afetar significativamente o fluxo comercial entre Brasil e EUA, especialmente nos setores do agronegócio e da indústria pesada. A movimentação chinesa indica um possível redesenho de alianças econômicas, com foco no fortalecimento de parcerias entre países emergentes diante de uma postura mais protecionista de Washington.

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