A sede do Reagrupamento Nacional (RN), partido de extrema-direita liderado por Marine Le Pen , foi alvo de uma operação de busca conduzida pela polícia francesa na manhã desta quarta-feira (9), como parte de uma investigação sobre possível financiamento ilegal de campanhas eleitorais.
Segundo Jordan Bardella , presidente do RN e afilhado político de Le Pen, cerca de vinte agentes da Brigada Financeira, fortemente armados e usando coletes à prova de balas, estiveram na sede do partido por volta das 8h50 (horário local, 3h50 de Brasília), acompanhados por dois juízes de instrução. Em publicação na rede social X (antigo Twitter), Bardella afirmou que “todos os e-mails, documentos e elementos de contabilidade do principal partido da oposição foram apreendidos, sem que se saiba, até o momento, quais são exatamente as acusações”.
Bardella classificou a operação como uma manobra de “assédio” político e disse que ela mira a atividade eleitoral do partido em diversas frentes: campanhas regionais, presidenciais, legislativas e europeias. “Trata-se de um grave ataque ao pluralismo e à alternância democrática. Nunca antes um partido da oposição havia sido alvo de um ataque tão encarniçado sob a Quinta República”, afirmou o deputado.
De acordo com a imprensa francesa, a investigação apura se o partido se beneficiou de doações disfarçadas por meio de empréstimos de apoiadores ricos e se houve superfaturamento de serviços contratados durante campanhas, com o objetivo de inflar os valores a serem reembolsados pelo Estado. O inquérito foi aberto no último dia 3 de julho e abrange o período entre 2021 e 2024. Até o momento, não há registros de prisões.
A operação desta quarta-feira se soma a outras investigações envolvendo o partido. Em março deste ano, Marine Le Pen e outros integrantes do RN foram condenados pelo uso fraudulento de 4,2 milhões de euros provenientes do Parlamento Europeu. Le Pen foi sentenciada a quatro anos de prisão — dois em regime fechado —, além de cinco anos de inelegibilidade, pena de aplicação imediata. Embora possa manter seu assento na Assembleia Nacional, a condenação pode impedi-la de disputar as eleições presidenciais de 2027, caso não tenha sucesso no processo de apelação previsto para 2026.
Além disso, no início deste mês, o jornal Le Monde revelou uma nova investigação que mira o antigo grupo parlamentar de direita “Identidade e Democracia” (ID), do qual o RN fazia parte entre 2019 e 2024. Um relatório da direção-geral de finanças do Parlamento Europeu aponta que o grupo distribuiu ilegalmente mais de 4,3 milhões de euros a associações em diferentes países, desrespeitando regras sobre o uso de fundos europeus.