O presidente da Argentina, Javier Milei , afirmou nessa quinta-feira (31) que pretende disputar um segundo mandato em 2027. A declaração foi feita durante uma entrevista ao programa de streaming e rádio Neura Media, conduzido pelo apresentador Alejandro Fantino. Ao longo da conversa, Milei reforçou que está empenhado em implementar reformas estruturais de longo prazo para o país, com foco na recuperação econômica e modernização do Estado.
"Trabalho incansavelmente com seis dos oito ministérios. Existe um triângulo político de ferro, com Santiago Caputo [ministro da Economia] como estrategista, minha irmã [Karina Milei, secretária geral da Presidência] e Guillermo Francos [chefe de gabinete]. Estou 100% dedicado à gestão, com o longo prazo e a situação atual", afirmou.
O presidente detalhou três áreas estratégicas de sua gestão que, segundo ele, sustentam o projeto de governo com foco no futuro: desregulamentação econômica, relações exteriores e reestruturação estatal. "O longo prazo tem três elementos centrais: o aumento do desempenho com a desregulamentação com [Federico] Sturzenegger [ministro da Desregulação e Transformação do Estado]; o outro elemento de longo prazo são as relações exteriores, que está sob a gestão de [Gerardo] Werthein. Isso tem a ver com a segunda fase do meu mandato, porque em 2027 serei reeleito", declarou.
Um momento inusitado durante o programa chamou a atenção do público, quando Milei interrompeu a entrevista ao vivo para assinar um decreto presidencial de forma eletrônica. “E sim, cara, eu trabalho como presidente”, brincou o chefe do Executivo, arrancando risos dos presentes no estúdio.
Desde que assumiu a presidência em dezembro de 2023, Milei tem promovido uma série de medidas voltadas ao ajuste fiscal. O governo afirma ter eliminado cerca de 50 mil cargos públicos, o que, segundo dados oficiais, gerou uma economia anual de aproximadamente US$ 2 bilhões. Além disso, foram anunciadas reduções de impostos em setores estratégicos da economia, como nas alíquotas de exportação aplicadas a carnes, grãos e derivados. No mês passado, um relatório do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) apontou que os salários reais, ajustados pela inflação, registraram alta, sinalizando uma possível recuperação do poder de compra dos argentinos.