As expectativas para as exportações da China, em julho, foram superadas, já que os fabricantes aproveitaram ao máximo a trégua tarifária com os Estados Unidos para enviar mercadorias — especialmente para o Sudeste Asiático — antes da entrada em vigor de tarifas mais rígidas impostas pelos EUA, voltadas à contenção de transbordo.
Operadores e investidores globais aguardam para saber se as duas maiores economias do mundo conseguirão chegar a um acordo comercial duradouro até 12 de agosto ou se as cadeias globais de suprimentos continuarão abaladas pelo retorno de taxas de importação superiores a 100%. As exportações chinesas para os EUA, em julho, despencaram 21,67% em relação ao mesmo mês de 2024.
As novas tarifas, que entraram em vigor na quinta-feira (7), impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , atingem 69 países. Entre as medidas, está a aplicação de uma taxa de 100% sobre chips e produtos farmacêuticos, além de um imposto adicional de 25% sobre mercadorias provenientes de países que compram petróleo russo.
Em relação ao mês de julho do ano passado, as exportações da China aumentaram 7,2%, de acordo com dados alfandegários divulgados nesta quinta-feira, superando a previsão de aumento de 5,4% em pesquisa da Reuters e acelerando ante o crescimento de 5,8% registrado em junho.
Contrariando as expectativas dos economistas, que previam uma queda de 1%, as importações cresceram 4,1%, também subindo em relação ao aumento de 1,1% observado em junho.
A trégua na guerra comercial entre os países — o maior mercado consumidor do mundo — termina na próxima semana, apesar de o republicano Trump ter dado a entender que novas tarifas poderão ser impostas a Pequim devido às contínuas compras chinesas de hidrocarbonetos russos.
"Os dados comerciais sugerem que os mercados do Sudeste Asiático desempenham um papel cada vez mais importante no comércio entre os EUA e a China", disse Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit.
"Não tenho dúvidas de que as tarifas de transbordo de Trump têm como alvo a China, uma vez que esse já era um problema durante o Governo Trump 1.0. A China é o único país para o qual o transbordo faz sentido, porque ainda desfruta de uma vantagem de custo de produção e segue sujeita a tarifas norte-americanas substancialmente mais altas do que outros países", acrescentou.
As exportações da China para os EUA caíram 21,67% no mês passado em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo os dados, enquanto os embarques para a ASEAN aumentaram 16,59% no mesmo intervalo.
Ainda em julho, o superávit comercial da China diminuiu de US$ 114,77 bilhões, em junho, para US$ 98,24 bilhões. Já o déficit comercial dos Estados Unidos com a China, de acordo com dados separados do governo americano, caiu para o menor valor em mais de 21 anos, em junho.