O Governo da Polônia decidiu restringir o acesso de veículos fabricados por montadoras chinesas a áreas militares do país, alegando preocupações relacionadas à segurança e ao risco de espionagem. A medida foi anunciada pelo Exército polonês em comunicado divulgado nessa terça-feira (17).

De acordo com autoridades militares, a decisão tem caráter preventivo e foi tomada após uma análise interna que avaliou os possíveis riscos associados às tecnologias presentes em veículos modernos, capazes de coletar e transmitir grandes volumes de dados. A preocupação central envolve a possibilidade de captação de informações sensíveis ligadas à infraestrutura e às operações de defesa.

Foto: Divulgação/BYD
Carro elétrico da BYD

Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, o Exército afirmou que sensores e sistemas digitais instalados nesses automóveis poderiam ser utilizados para registrar dados confidenciais. Em nota, a força armada destacou que a restrição busca reduzir riscos decorrentes da crescente digitalização dos veículos e do potencial uso indevido das informações coletadas por esses sistemas.

Reportagem da Associated Press (AP) aponta que carros elétricos e modelos mais recentes, incluindo os produzidos por fabricantes chineses, possuem recursos capazes de captar imagens, áudios e dados de localização em tempo real. As autoridades polonesas demonstraram preocupação com a possibilidade de que essas informações sejam compartilhadas com governos estrangeiros, incluindo o de Pequim.

Com a nova regra, veículos produzidos na China ficam impedidos de entrar em instalações militares consideradas sensíveis, exceto nos casos em que funções de gravação, conectividade e coleta de dados sejam desativadas, além da adoção de outras medidas de segurança definidas por cada base.

Ainda conforme a Reuters, o Exército polonês também proibiu que celulares oficiais da corporação sejam conectados aos sistemas multimídia desses veículos, como forma adicional de proteção de dados institucionais. O governo afirmou que as medidas seguem práticas já adotadas por outros países integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e por nações aliadas.

Sem anúncio no momento

Dados da consultoria IBRM Samar, citados pela AP, indicam que automóveis de origem chinesa já representavam mais de 8% dos veículos novos registrados na Polônia no último ano.