A Rússia avisou nesta terça-feira (3) que o fim do tratado START III, previsto para 5 de fevereiro, deixará o mundo em situação mais perigosa. O tratado limita cada país a 1.550 ogivas nucleares e 700 sistemas balísticos e é o último acordo de desarmamento estratégico ainda em vigor entre Moscou e Washington. A expiração do acordo ocorre em meio a impasses sobre renovação e a inclusão de outros países nas negociações.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov , reiterou que Moscou apresentou em setembro de 2025 uma proposta para prorrogar o tratado por um ano, mas ainda não recebeu resposta dos Estados Unidos. Ele afirmou que a ausência de um documento que limite os arsenais nucleares é “muito ruim para a segurança em todo o mundo, para a segurança estratégica”. Peskov também criticou a ideia de incluir a China em futuras negociações, sugerindo que França e Reino Unido deveriam participar de qualquer novo acordo.

Foto: Reprodução/Kremlin
Dmitry Peskov

O vice-ministro das Relações Exteriores, Sergey Ryabkov, disse que a Rússia está preparada para um mundo sem limites para seus arsenais nucleares. "Este é um momento novo, uma nova realidade. Estamos preparados para isso", afirmou, acrescentando que não pretende protestar formalmente contra a falta de resposta americana. Segundo ele, “a ausência de uma resposta também é uma resposta”.

O tratado foi parcialmente suspenso pela Rússia em fevereiro de 2023, após o apoio militar dos EUA à Ucrânia, o que impediu inspeções ocidentais nos arsenais russos. O Kremlin afirmou que a negociação de um novo acordo será “um processo longo e difícil”, em referência às declarações do presidente Donald Trump sobre a possibilidade de um futuro tratado nuclear.