O jornalista Franklin Martins, ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva , foi detido por agentes de imigração e deportado do Panamá após uma abordagem no aeroporto da Cidade do Panamá, na última sexta-feira (6). O episódio ocorreu durante uma escala de viagem e levou o governo panamenho a enviar um pedido formal de desculpas ao Brasil neste domingo (8).
Segundo relato encaminhado ao Ministério das Relações Exteriores, Martins afirmou que foi conduzido a diferentes salas do aeroporto, onde respondeu a questionamentos sobre sua atuação durante o período da Ditadura Militar no Brasil. De acordo com o ex-ministro, documentos pessoais também foram retidos pelas autoridades locais durante o procedimento.
Após a intervenção diplomática brasileira, o governo panamenho enviou uma carta de desculpas ao Brasil. Em mensagem divulgada pelo portal ICL Notícias, o chanceler Javier Eduardo Martínez-Acha Vásquez afirmou que o episódio não reflete a posição do país em relação ao ex-ministro.
“O evento não reflete, de forma alguma, a consideração e o respeito que o Governo da República do Panamá nutre pelo Sr. de Souza Martins, nem por sua distinta trajetória pública como jornalista e servidor público no Brasil durante os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, declarou o chanceler.
Na mesma carta, Martínez-Acha também pediu desculpas pelo incidente e afirmou que Franklin Martins “será sempre bem-vindo ao Panamá”.
Relato do ex-ministro sobre a escala no Panamá
De acordo com relato divulgado pela Associação Brasileira de Imprensa, Martins disse ter sido informado por agentes de imigração de que não poderia seguir viagem para a Guatemala e que seria deportado para o Brasil.
“Outro policial veio falar comigo. Disse que meu caso tinha sido decidido por seus superiores. Eu não poderia viajar para a Guatemala. Seria deportado de volta para o Brasil no primeiro voo com destino ao Rio de Janeiro”, afirmou.
Segundo ele, os agentes citaram a Lei de Migração de 2008 do Panamá, que impede a entrada ou conexão de estrangeiros considerados autores de crimes graves, como tráfico de drogas, crimes financeiros, assassinato ou sequestro. Martins afirmou ter respondido que não havia cometido crimes.