O Papa Leão XIV afirmou nesta quinta-feira (23) que o Vaticano não apoia a bênção formal de casais homossexuais nem de uniões consideradas irregulares pela doutrina da Igreja Católica. A declaração foi dada durante entrevista a jornalistas no voo de retorno de sua viagem apostólica à África.
Ao comentar a decisão do cardeal Reinhard Marx, na Alemanha, de permitir celebrações de bênção para casais do mesmo sexo e divorciados recasados civilmente, o pontífice reforçou que a Santa Sé já deixou clara sua posição contrária a esse tipo de reconhecimento formal.
Segundo Leão XIV, a Igreja faz distinção entre acolher todas as pessoas e validar oficialmente determinadas uniões. Ele explicou que as declarações anteriores do papa Papa Francisco sobre bênçãos para todos se referiam às bênçãos gerais dadas ao fim das missas e celebrações religiosas, dirigidas a todos os fiéis presentes, e não a ritos específicos voltados para casais em situações irregulares.
O papa também destacou que a unidade da Igreja não deve estar centrada em debates sobre sexualidade. Para ele, existem temas morais mais urgentes e amplos, como justiça social, igualdade, liberdade entre homens e mulheres e liberdade religiosa, que precisam ocupar maior espaço nas discussões dentro da instituição.
A fala acontece após Marx determinar que o documento “A Bênção Dá Força ao Amor” passe a orientar a ação pastoral da arquidiocese de Munique e Freising a partir de junho. A medida prevê treinamentos para padres e equipes pastorais sobre celebrações de bênção destinadas a casais homoafetivos e divorciados que se casaram novamente no civil.
A iniciativa faz parte do chamado Caminho Sinodal alemão, processo de reformas debatido dentro da Igreja Católica na Alemanha. A proposta foi aprovada em março de 2023 com ampla maioria e formalizada em 2025 pela Conferência Episcopal Alemã e pelo Comitê Central dos Católicos Alemães.
O tema, no entanto, segue gerando forte divisão entre dioceses alemãs. Enquanto algumas regiões adotaram orientações favoráveis às bênçãos, outras rejeitaram a medida e citaram os limites estabelecidos por Roma.
A doutrina católica mantém que o matrimônio é exclusivamente a união entre homem e mulher, com foco no bem dos cônjuges e na transmissão da vida, princípios considerados inseparáveis pelo Catecismo da Igreja Católica.