O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer , anunciou nesta segunda-feira (22) que deixará o cargo após menos de dois anos à frente do governo britânico. A decisão ocorre em meio a uma forte crise política, marcada pela queda de popularidade do governo e pelo aumento da pressão dentro do Partido Trabalhista.

Em pronunciamento realizado em frente à residência oficial de Downing Street, em Londres, Starmer informou que também renunciará à liderança do Partido Trabalhista.

Foto: Reprodução/Instagram
Keir Starmer

“Todas as decisões que tomei foram para colocar o país que amo em primeiro lugar. É por isso que vou renunciar como líder do Partido Trabalhista”, declarou o premiê, emocionado durante o discurso.

Enquanto o pronunciamento acontecia, manifestantes reunidos nas proximidades tocaram a "Ode à Alegria", de Beethoven, hino oficial da União Europeia.

Apesar do anúncio, Starmer permanecerá no cargo até a conclusão da disputa interna que escolherá seu sucessor. Segundo ele, o processo para eleger o novo líder trabalhista terá início em julho, com previsão de conclusão e posse em setembro.

Pressão interna acelerou saída

A renúncia foi precedida por semanas de crescente insatisfação dentro do Partido Trabalhista. O movimento ganhou força após a vitória de Andy Burnham em uma eleição parlamentar extraordinária realizada na semana passada.

Sem anúncio no momento

Considerado o principal favorito para assumir o comando da legenda, Burnham passou a ser visto por setores do partido como a alternativa para reverter a queda de popularidade do governo.

De acordo com a imprensa britânica, mais de 100 parlamentares trabalhistas defenderam publicamente a saída de Starmer. Integrantes influentes do governo, como a chanceler Yvette Cooper e o ministro da Energia, Ed Miliband, também teriam apoiado a mudança de liderança.

Prefeito da Grande Manchester desde 2017, Burnham já sinalizou que disputará a liderança do partido. Após sua recente vitória eleitoral, afirmou que os trabalhistas enfrentam sua “última chance de mudar”.

Caso seja escolhido pelos filiados, Burnham assumirá automaticamente o cargo de primeiro-ministro, uma vez que o Partido Trabalhista mantém maioria na Câmara dos Comuns.

Governo enfrentava desgaste crescente

Desde que chegou ao poder, Starmer enfrentou críticas relacionadas a mudanças de posicionamento em temas considerados centrais, além de disputas internas e sucessivas saídas de integrantes do governo.

Nas últimas semanas, pesquisas de opinião apontavam índices elevados de rejeição ao premiê, alimentando especulações sobre sua permanência no cargo.

A crise também abriu espaço para questionamentos sobre a estabilidade política do Reino Unido. O líder do partido Reform UK, Nigel Farage, defendeu a convocação de eleições antecipadas, argumentando que o governo perdeu apoio popular.

Trump antecipou renúncia

A crise política britânica ganhou repercussão internacional ainda antes do anúncio oficial. No domingo (21), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , afirmou em publicação na rede social Truth Social que Starmer deixaria o cargo.

Sem apresentar fontes, Trump antecipou a renúncia do líder britânico e desejou “tudo de bom” ao primeiro-ministro.

Após a confirmação da saída, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prestou homenagem a Starmer nas redes sociais.

“Muitos líderes levam anos para se tornarem o estadista que você se tornou em apenas dois anos. A segurança da Europa e da Ucrânia está mais forte graças a você. Obrigada, querido Keir”, escreveu.

A renúncia de Starmer encerra um período de menos de dois anos à frente do governo britânico e abre uma nova disputa pelo comando do Partido Trabalhista e do Reino Unido, em um momento de desafios políticos e econômicos para o país.