Uma operação da Polícia Federal (PF) realizada no último fim de semana levou à prisão de um dos principais fornecedores de armamentos do Comando Vermelho (CV) no Suriname. A ofensiva, batizada de Operação Red Fox, tem como foco desarticular a estrutura financeira e logística internacional da facção criminosa com origem no Rio de Janeiro.
Durante a ação, os agentes também prenderam a companheira do investigado, apontada pelas autoridades como responsável pela coordenação de operações financeiras e logísticas ligadas ao esquema. Segundo as investigações, o suspeito teria movimentado mais de R$ 150 milhões relacionados à aquisição de armas. Já a mulher teria realizado viagens ao Suriname em períodos que coincidem com movimentações financeiras consideradas suspeitas.
Além do casal, outras duas pessoas foram presas. Uma delas, no Rio de Janeiro, é suspeita de atuar na movimentação de recursos da facção por meio de contas bancárias pessoais e empresariais. A outra captura ocorreu em Tabatinga, no Amazonas, região de tríplice fronteira com Colômbia e Peru. O investigado seria responsável por uma empresa utilizada para movimentar recursos ligados à logística do tráfico de drogas e armas.
As determinações judiciais foram expedidas pela 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e incluíram prisões preventivas, bloqueio de ativos financeiros, sequestro de bens e suspensão das atividades de empresas consideradas de fachada ou utilizadas como contas de passagem. De acordo com a PF, todas mantinham vínculos com a organização criminosa.
As apurações apontam que o Comando Vermelho recorria ao uso de laranjas, empresas fictícias, depósitos fracionados, transferências via Pix e movimentações incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos para esconder a origem ilegal dos recursos. O esquema também seria utilizado para efetuar pagamentos a fornecedores no Brasil e no exterior.
Apesar das prisões efetuadas, ainda há nove mandados de prisão preventiva em aberto contra investigados. Entre os alvos estão lideranças do Comando Vermelho que seguem foragidas.
A Justiça Federal também determinou o bloqueio, sequestro e indisponibilidade de bens e valores que podem chegar a quase R$ 500 milhões. A medida busca enfraquecer a capacidade financeira da facção, impedir a dispersão de patrimônio e interromper o fluxo de recursos destinados às atividades criminosas.
Segundo informou a Polícia Federal, “as apurações continuam para localização dos foragidos, aprofundamento da análise financeira e telemática e identificação de outros integrantes da rede criminosa”.
Leandro Soares
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