O chefe de Gabinete do governo do presidente Javier Milei , Manuel Adorni , anunciou nesse sábado (27) sua renúncia ao cargo após meses de desgaste político provocado por investigações judiciais e denúncias relacionadas ao seu patrimônio. A saída ocorre em meio à pressão da oposição, de aliados no Congresso e de setores do próprio governo argentino.

Adorni era considerado um dos principais aliados de Milei e ganhou projeção nacional ao atuar inicialmente como porta-voz da Presidência, antes de assumir a chefia de Gabinete. Em carta publicada na rede social X, ele afirmou que decidiu deixar o governo para preservar a si e sua família.

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Manuel Adorni

No comunicado, o agora ex-ministro disse ter sido alvo de "ataques da mídia" e afirmou que foi tratado como criminoso e corrupto "sem um único fato de corrupção" comprovado contra ele. Adorni negou qualquer irregularidade e declarou que deixa o cargo com a "consciência tranquila".

As investigações tiveram início após denúncias envolvendo sua evolução patrimonial e o uso de recursos públicos. O caso ganhou repercussão em março, quando veio à tona que sua esposa, Bettina Angeletti, integrou uma comitiva oficial que acompanhou Javier Milei em viagem aos Estados Unidos, mesmo sem ocupar cargo público ou exercer função oficial na missão.

Parlamentares da oposição questionaram o uso de dinheiro público para custear passagens, hospedagem e demais despesas da viagem. Embora esse episódio não tenha resultado em acusação criminal, ele impulsionou novas apurações sobre os gastos e o patrimônio do então chefe de Gabinete.

Posteriormente, Adorni passou a ser investigado por suspeitas de enriquecimento ilícito e tráfico de influência. As apurações incluem o uso frequente de aviões privados, hospedagens em hotéis de luxo e resorts, além da aquisição de imóveis em áreas valorizadas da Argentina. Segundo as denúncias, parte desses bens e despesas seria incompatível com a renda oficialmente declarada pelo ex-ministro.

Sem anúncio no momento

Os investigadores também analisam possíveis transações imobiliárias realizadas por meio de intermediários e eventual recebimento de benefícios indiretos, como viagens e hospedagens custeadas por terceiros, o que poderia caracterizar vantagens indevidas relacionadas ao exercício da função pública.

O desgaste aumentou nos últimos dias, após Adorni admitir ter omitido aproximadamente US$ 500 mil em suas declarações patrimoniais. Segundo ele, os valores correspondiam a economias mantidas em conjunto com a esposa, provenientes de atividades exercidas no setor privado e de investimentos em criptomoedas.

De acordo com o jornal argentino Clarín, a permanência de Adorni no cargo passou a dificultar a articulação política do governo no Congresso. Parlamentares da oposição avançavam com pedidos de interpelação e moções de censura, enquanto partidos aliados, como o PRO, a União Cívica Radical e blocos provinciais, passaram a defender sua saída para reduzir o desgaste político do governo Milei.

Ainda conforme o Clarín, aliados do presidente avaliavam que a permanência de Adorni comprometia a relação da Casa Rosada com o Legislativo e dificultava a tramitação de projetos considerados prioritários pelo Executivo argentino.

Apesar da renúncia, as investigações judiciais sobre o patrimônio de Manuel Adorni continuam em andamento na Argentina.