O ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad está em prisão domiciliar e sob custódia da divisão de inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica. A informação foi divulgada pelo jornal americano The New York Times , com base em relatos de autoridades iranianas.
De acordo com a publicação, Ahmadinejad passou a ser monitorado depois que autoridades do Irã teriam identificado supostos contatos dele com integrantes da inteligência de Israel. O paradeiro e a situação do ex-presidente eram cercados de incertezas desde o início da guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos.
O jornal relata que Israel teria elaborado, ao longo dos últimos anos, uma estratégia para transformar Ahmadinejad em um ativo de inteligência e, posteriormente, utilizá-lo como possível liderança do Irã em um cenário de mudança de regime.
Como parte dessa suposta articulação, o ex-presidente teria participado de encontros reservados com agentes israelenses em Budapeste, na Hungria. David Barnea, então chefe do Mossad, também teria se reunido pessoalmente com Ahmadinejad.
Ainda conforme a reportagem, no fim de fevereiro, durante os primeiros dias da guerra, agentes do Mossad teriam retirado Ahmadinejad de sua residência em Teerã depois que um ataque aéreo israelense atingiu o complexo onde ele morava.
Autoridades americanas e iranianas ouvidas pelo jornal afirmaram que a operação buscava proteger o ex-presidente para viabilizar um plano de mudança de regime no país. A estratégia, no entanto, não teria sido bem-sucedida.
No início do conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos, chegaram a circular informações de que Ahmadinejad havia morrido durante um ataque aéreo em Teerã. A notícia foi divulgada pela CNN Brasil com base em informações atribuídas à agência estatal iraniana ILNA.
Governo e rompimento com Khamenei
Ahmadinejad comandou o Irã entre 2005 e 2013. No início de sua passagem pela Presidência, contou com o apoio de setores conservadores, de parlamentares linha-dura e de integrantes do clero xiita.
Ao longo dos dois mandatos, porém, sua gestão passou a enfrentar crescente desgaste. A política nuclear adotada pelo país resultou em uma série de sanções internacionais e contribuiu para o agravamento das dificuldades econômicas.
No cenário internacional, Ahmadinejad tornou-se uma figura controversa por declarações antissemitas, pela negação do Holocausto e por ameaças dirigidas a Israel, fatores que contribuíram para ampliar o isolamento diplomático do Irã.
Internamente, o ex-presidente também perdeu espaço entre antigos aliados. Apesar da proximidade inicial com o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, Ahmadinejad passou a entrar em conflito com a cúpula clerical ao tentar ampliar os poderes da Presidência.
O desgaste entre os dois se aprofundou em 2011, durante uma disputa relacionada ao Ministério da Inteligência. Nos anos seguintes, Ahmadinejad tentou retornar à disputa pelo comando do país, mas o Conselho dos Guardiães barrou suas candidaturas às eleições presidenciais de 2017, 2021 e 2024.