O Tribunal do Júri de Balsas , no Sul do Maranhão, condenou, na quinta-feira (14), os policiais militares Bruno Rafael Moraes e Raifran de Sousa Almeida a 14 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato de Karina Brito Ferreira e pela tentativa de homicídio da irmã dela, Kamila Brito. Eles vão poder responder pelo crime em liberdade.
O crime ocorreu em dezembro de 2016, quando as irmãs retornavam de um velório e tiveram o carro confundido com o de criminosos que haviam tentado assaltar uma agência bancária em Fortaleza dos Nogueiras. Durante a perseguição policial, realizada por um veículo descaracterizado, o automóvel delas foi atingido por 17 disparos. Karina, que estava no banco do passageiro, morreu na hora, enquanto Kamila, que dirigia, foi baleada no braço e sobreviveu.
Segundo o Ministério Público, a ação dos militares foi desproporcional e injustificada, já que não havia ameaça.
Durante o julgamento, Kamila reiterou que acreditou estar sendo perseguida por criminosos, motivo pelo qual tentou fugir. O MP sustentou a acusação com base em laudos periciais, documentos do inquérito, exames necroscópicos, corpo de delito, fotografias e depoimentos.
Os jurados entenderam que os policiais assumiram o risco de matar e os condenaram por homicídio doloso. Antes da sessão, familiares e amigos das vítimas realizaram um ato em frente ao Fórum de Balsas, pedindo justiça.
O juiz considerou decisão do Supremo Tribunal Federal, que estabelece a possibilidade de evitar a prisão imediata porque os condenados são policiais militares que estavam no exercício de suas funções; responderam a todo o processo em liberdade; compareceram espontaneamente à sessão; possuem residência fixa e famílias estabelecidos — um deles é pai de um filho com deficiência e o outro faz tratamento psicológico.