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EUA e Irã devem retomar acordo nuclear por meio de interlocutores

Negociações mais amplas e indiretas devem ocorrer em Viena, na próxima semana.
Por Estadão Conteúdo

Irã e os Estados Unidos anunciaram na sexta-feira, 2, que manteriam conversações indiretas em Viena a partir de terça-feira, 6, como parte de negociações mais amplas para reviver o acordo nuclear de 2015 entre Teerã e potências globais.

Teerã descartou discussões bilaterais cara a cara, mas a presença do Irã e dos Estados Unidos na capital austríaca - saudada por Washington como um "passo saudável à frente" - ajudará a concentrar os esforços para fazer com que todos os lados voltem à mesa de negociações. A restauração do acordo nuclear significaria uma grande melhoria na relação distante entre o Irã e os Estados Unidos.

O objetivo é chegar a um tratado em dois meses, afirmou um alto funcionário da União Europeia, que está à frente das negociações.

O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, desistiu do acordo em 2018 e voltou a impor sanções ao Irã, levando-o a violar algumas das restrições nucleares do pacto. Seu sucessor, Joe Biden, quer reativar o acordo, mas Washington e Teerã estão em desacordo sobre quem deve dar o primeiro passo.

Biden quer voltar ao acordo que foi negociado quando ele era vice-presidente do governo Obama, que impôs limites duros, mas temporários, às atividades nucleares do Irã em troca do levantamento das sanções americanas e internacionais contra Teerã.

“O Irã e os EUA estarão na mesma cidade, mas não na mesma sala”, disse uma fonte diplomática europeia.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, disse que as negociações seriam estruturadas em torno de grupos de trabalho que a UE vai formar com os participantes restantes, além de Rússia e China, incluindo o Irã.

"Ainda estamos no começo e não prevemos um avanço imediato, pois haverá discussões difíceis pela frente. Mas este é um passo saudável", afirmou Price em um comunicado. "Não prevemos conversas diretas com o Irã por meio desse processo, embora os EUA permaneçam abertos a elas", disse.

Para Abbas Araghchi, negociador iraniano para o pacto nuclear, o retorno dos EUA ao acordo dispensa conversas, e o caminho para tal decisão está livre, de acordo com a TV estatal do país persa. Teerã insiste que, desde que Washington foi a parte que deixou o trato, os americanos precisam retornar a ele antes do Irã, uma posição que põe obstáculos ao ambiente que os diálogos em Viena buscam oferecer.

A equipe de Biden disse que, assim que houver conformidade mútua com o acordo nuclear, conhecido como Plano de Ação Abrangente Conjunto, ou JCPOA, Washington quer negociar mais com o Irã para estender as limitações de tempo do acordo e tentar restringir o do Irã.

Ambos os lados têm tentado, através dos participantes europeus, encontrar um caminho de volta ao acordo sem causar problemas políticos em casa. O Irã realizará eleições presidenciais em junho, e o governo claramente quer mostrar progresso no levantamento das sanções punitivas antes disso. Biden deve ter cuidado para não dar aos republicanos no Senado, a maioria dos quais se opôs ao acordo em primeiro lugar, qualquer sensação de que ele está cedendo às exigências iranianas.

Embora o Irã sempre tenha insistido que nunca buscará uma arma nuclear, acredita-se que o país esteja a apenas alguns meses de acumular urânio altamente enriquecido o suficiente para criar pelo menos uma arma nuclear, então o tempo também é um fator para Washington.

O embaixador da Rússia em organizações internacionais em Viena, Mikhail Ulyanov, disse que “a impressão é que estamos no caminho certo, mas o caminho a seguir não será fácil e exigirá esforços intensos. As partes interessadas parecem estar prontas para isso.”

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