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Trump garante vitória de candidatos em primárias de olho na Casa Branca

Ex-presidente norte-americano tem se mostrado um fator decisivo para pré-candidatos republicanos.
Por Estadão Conteúdo

Mesmo afastado das urnas, Donald Trump tem se mostrado uma das figuras mais interessadas e influentes nas eleições de meio de mandato dos EUA, conhecidas como ‘midterms’. Decisivo para a vitória dos 22 candidatos que apoiou em Indiana e Ohio – o último, Estado que costuma decidir eleições presidenciais –, o ex-presidente voltou a ver o sucesso de seus indicados na Virgínia Ocidental, em votação na terça-feira, 10.

A vitória mais importante para Trump na última terça foi a do congressista Alex Mooney, um dos únicos pré-candidatos republicanos que disputavam a vaga do partido com outro congressista, David McKinley. Em seu discurso da vitória, Mooney fez uma reverência ao ex-presidente, após uma campanha centrada em seu apoio.

“Donald Trump ama a Virgínia Ocidental, e a Virgínia Ocidental ama Donald Trump”, afirmou diante de seus apoiadores.

Até o começo deste mês, Trump declarou apoio a mais de 150 pré-candidatos, segundo levantamento da Reuters. E, com as primárias republicanas concluídas em cinco Estados, ter o ex-presidente no palanque tem se mostrado um trunfo para a maioria deles.

Em Ohio e Indiana, onde todos os 22 candidatos apoiados por Trump venceram a disputa interna na semana passada, o prestígio do presidente entre os eleitores se mostrou decisivo.

O caso mais emblemático foi o do indicado pelo Partido Republicano para concorrer ao Senado por Ohio, J.D. Vance. Considerado um azarão diante de adversários com trajetórias mais longas no partido, Vance conseguiu assegurar o apoio do ex-presidente – que era disputado por outros candidatos – três semanas antes do dia da votação, o que o catapultou para a primeira posição.

O mesmo aconteceu nas primárias do Texas, realizadas em março. Quase todos os candidatos que conseguiram atrelar suas imagens ao ex-presidente acabaram conquistando a maioria dos votos. A exceção foi o procurador-geral Ken Paxton, que mesmo enfrentando acusações de ilegalidades na condução do cargo, alcançou uma vaga no 2° turno das primárias que será disputado no dia 24 de maio.

Na visão de alguns analistas, as primárias republicanas revelam as divisões internas do partido – principalmente entre o establishment ligado ao empresariado americano, a ala conservadora e liberal e uma ala mais populista, vinculada ao ex-presidente. A atuação de Trump, por sua vez, indicaria uma tentativa de moldar a legenda em torno dessa última ala mais ideológica, pavimentando o caminho para uma nova candidatura presidencial em 2024.

“Pela primeira vez desde 2016, há uma linha clara não apenas entre Trump e o establishment, mas entre o populismo trumpista e o conservadorismo. Essa linha ficará borrada novamente assim que as primárias forem resolvidas. Mas a batalha por Ohio sugere coisas a serem observadas em 2022 e além”, escreveu Ross Douthat em artigo recente no The New York Times, acrescentando que uma nova candidatura de Trump provavelmente teria elementos mais parecidos com a campanha de 2016 do que a de 2020.

Risco calculado

Apesar do sucesso inicial como articulador político, analistas apontam que Trump vem testando os limites de sua popularidade com o eleitorado americano com cautela.

Em Ohio, onde o apoio do ex-presidente se provou um trunfo avassalador após a apuração das urnas, não passou despercebida o silêncio sobre os candidatos ao governo estadual. Apesar das discordâncias públicas com o governador Mike DeWine, Trump preferiu não atrelar seu nome a nenhuma das campanhas opositoras, enquanto o rival liderava as intenções de voto.

O mesmo aconteceu na terça em Nebraska, onde o governador republicano Don Bacon – desafeto de Trump, que o culpou em parte pela invasão do Capitólio em 6 de janeiro do ano passado – venceu a disputa sem que o ex-presidente tentasse usar sua influência em prol da oposição.

No entanto, a maior derrota de Trump até o momento veio da Virgínia Ocidental, onde o candidato trumpista ao governo Charles Herbster foi derrotado pelo reitor da Universidade de Nebraska Jim Pillen.

Trump adotou uma abordagem diferente de muitos outros candidatos à presidência, entrando em corridas confusas e buscando brigas em Estados críticos, em vez de fazer endossos seguros e ficar de fora das primárias republicanas mais difíceis. “Eu sou um apostador”, respondeu Trump a um de seus conselheiros, segundo uma fonte citada pelo Washington Post.

Algumas decisões de apoio de Trump tem provocado uma briga interna entre seus próprios assessores, que as consideram arriscadas. Em disputas importantes, como no caso do Nebraska, o selo Trump não garantiu a vitória e alguns de seus conselheiros temem que ele esteja diluindo seus endossos ao apoiar centenas de candidatos para cargos de baixo escalão, apenas pela disposição deles de apoiar suas falsas alegações de fraude nas eleições de 2020.

Segundo vários de seus conselheiros, Trump acredita que pode afetar as disputas como ninguém mais e, assim, manter seu status dominante no Partido Republicano. De acordo com o Post, o republicano gosta de fazer campanha contra outros candidatos apenas para ver seus números despencarem.

Primária ‘trumpista’ interessa a democratas

As eleições de meio de mandato, que neste ano acontecem no dia 8 de novembro, costumam ser uma dor de cabeça para o partido do presidente eleito, que quase sempre perde cadeiras no Congresso. Todas os 435 assentos da Câmara e 35 dos assentos do Senado estarão em disputa, além de governos estaduais, secretários de Estado e, em alguns casos, procuradores-gerais estaduais.

A única exceção desde o fim da 2ª Guerra ocorreu com George W. Bush, quando os republicanos ganharam oito assentos em uma eleição realizada após a invasão do Iraque, de acordo com o Council on Foreign Relations.

Não bastasse o histórico desfavorável, os democratas ainda precisam lidar com a baixa popularidade de Joe Biden, impulsionada por problemas internos como a alta da inflação.

Antes das eleições primárias em Ohio, o estrategista estadual do partido, Dale Butland, revelou que um dos fatores com o qual os democratas contam para não perder cadeiras no Parlamento -- e, consequentemente, a maioria no Legislativo -- é justamente o sucesso da guinada fundamentalista do Partido Republicano durante as primárias.

“A história nos diz que os democratas vão perder o controle da Câmara (...). Devemos perder o controle do Senado também. No entanto, a única coisa que poderia nos salvar é se os republicanos nomearem um bando de loucos de extrema direita que são inaceitáveis em uma eleição geral”, disse Butland.

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