Política

Bolsonaro contraria Ministério da Saúde e causa aglomeração em padaria

Das janelas de prédios na Asa Norte, pessoas protestaram com gritos de 'Fora Bolsonaro'.

Por  Estadão Conteúdo
- atualizado

O presidente Jair Bolsonaro voltou a descumprir as orientações do Ministério da Saúde para que as pessoas mantenham distanciamento social como medida de controle do novo coronavírus. No final da tarde desta quinta-feira, 9, ele esteve em uma padaria localizada na Asa Norte, bairro da capital federal. A presença do presidente gerou aglomeração. Ele posou para fotos e cumprimentou apoiadores. Das janelas dos prédios, pessoas protestaram contra a presença do chefe do Executivo. Houve gritos de “Fora Bolsonaro.”

O presidente deixou o Planalto por volta das 17h15. Acompanhando de seguranças e do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, ele chegou à padaria de surpresa. Em um vídeo divulgado pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que também acompanhou o passeio, o presidente come um pão doce e bebe refrigerante.

Bolsonaro abraçou funcionários do comércio que pediram para tirar fotos. Ao deixar o local, o presidente também foi cercado por várias pessoas, que se aglomeraram também para fazer registro do passeio. Dos prédios, moradores criticaram a presença do presidente. Houve gritos de “Fora Bolsonaro” e algumas pessoas bateram panela.

Hoje, pelo terceiro dia consecutivo, o Brasil registrou novo recorde de mortes decorrentes do novo coronavírus em um único dia, nesta quinta-feira, 9. De ontem para hoje, foram 141 óbitos. No total, são pelos menos 941 vítimas da doença no País. O número total de casos oficialmente confirmados subiu de 15.927 para 17.857 casos, um aumento de 12% em apenas 24 horas.

No dia 29 de março, o presidente já havia quebrado o isolamento ao percorrer comércios em Taguatinga e Ceilândia, regiões administrativas do Distrito Federal. O passeio havia ocorrido um dia após o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, reforçar o pedido para que as pessoas mantenham o distanciamento social.

Bolsonaro tem defendido que pessoas jovens voltem ao trabalho para evitar um colapso econômico e que a quarentena seja feita apenas pelo grupo de risco, ou seja pessoas com doenças e idosos. O presidente tem 65 anos.

No dia 15 de março, Bolsonaro já havia descumprido as recomendações de autoridades sanitárias mundiais ao ir ao encontro de apoiadores em uma manifestação pró-governo.

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