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Ex-embaixadora na Ucrânia diz que Trump pressionou por sua destituição

Em depoimento na Câmara, Marie Yovanovitch relatou que foi forçada a deixar o país às pressas em maio apesar de seus superiores dizerem que ela não havia feito nada de errado.

Por  Estadão Conteúdo

Para a ex-embaixadora dos Estados Unidos na Ucrânia Marie Yovanovitch, sua saída abrupta do cargo em maio foi resultado direto da pressão que o presidente Donald Trump fez sobre o Departamento de Estado, de acordo com o texto que ela preparou para apresentar ao Congresso nesta sexta-feira, 11.

A destituição de Marie é a mais recente questão de interesse da comissão da Câmara dos Deputados que investiga as ações de Trump para determinar se são cabíveis de impeachment. A ex-embaixadora disse aos legisladores que foi forçada a deixar Kiev no "primeiro avião disponível" e, logo depois, foi retirada do cargo.

Ela afirmou também que o vice-chefe do Departamento de Estado disse que ela não havia feito nada de errado, mas que Trump havia perdido a confiança em seu trabalho e que o Departamento de Estado estava sob pressão para substituí-la desde o meio de 2018.

Ao explicar sua partida, ela reconheceu que por vários meses foi criticada pelo advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, que a acusava de falar mal do presidente e de proteger os interesses do ex-vice-presidente Joe Biden e de seu filho, Hunter, que atuava no conselho da empresa de uma energia ucraniana.

Marie negou essas alegações e disse ter ficado incrédula de que seus superiores decidiram destituí-la com base em "alegações infundadas e falsas de pessoas com motivos claramente questionáveis". Ela também afirmou que assessores de Giuliani poderiam estar sob ameaçada em razão de seus esforços anticorrupção na Ucrânia.

"Os contatos de Giuliani podem muito bem acreditar que suas ambições financeiras pessoais foram frustradas por nossa política anticorrupção na Ucrânia", disse ela.

Depoimento aguardado

Marie chegou ao Capitólio nesta sexta-feira, apesar das objeções da Casa Branca e da recusa em cooperar com o processo de investigação liderado pelos democratas.

Ela é um dos vários diplomatas e ex-diplomatas que as comissões de Inteligência, Relações Exteriores e Supervisão da Câmara identificaram como testemunhas em sua investigação sobre se Trump usou a ajuda militar dos EUA e a interação diplomática oficial para pressionar o presidente da Ucrânia a investigar os rivais políticos do republicano.

As comissões emitiram intimações à Casa Branca, Giuliani, dois de seus assessores e vários funcionários do governo - incluindo o Secretário de Estado, Mike Pompeo, o Secretário de Energia, Rick Perry, o Secretário de Defesa, Mark Esper, e o diretor interino do Escritório de Gerenciamento e orçamento, Russell Vought - solicitando materiais relacionados às interações do governo com a Ucrânia.

Mas até o momento, as comissões registraram apenas um depoimento: do ex-enviado especial dos EUA para a Ucrânia Kurt Volker, que deixou o cargo horas depois de ser convocado a depor.

Em sua sessão no início deste mês, Volker entregou uma série de mensagens de texto que ele trocou com Giuliani, um assessor do presidente ucraniano Volodmir Zelenski e diplomatas seniores dos EUA, incluindo Gordon Sondland, embaixador dos EUA na União Europeia.

Sondland, cujo depoimento foi bloqueado pelo Departamento de Estado no início desta semana, também foi intimado. Seus advogados, Robert Luskin e Kwame Manley, disseram nesta sexta-feira que ele pretende comparecer perante as comissões na próxima semana, mas sem entregar os documentos solicitados pelos parlamentares.

"Pela lei e regulamentação federal, o Departamento de Estado tem autoridade exclusiva para produzir esses documentos, e o Embaixador Sondland espera que os materiais sejam compartilhados com as comissões antes de seu testemunho de quinta-feira", disseram seus advogados em comunicado.

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