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Ministro da Venezuela entra na lista de fugitivos mais procurados dos EUA

Tareck El Aissami já sofria sanções dos EUA pela acusação de ser um dos principais articuladores do narcotráfico na Venezuela, inclusive de ser aliado ao grupo terrorista Hezbollah.

Por  Estadão Conteúdo

O ministro da Indústria da Venezuela, Tareck El Aissami, foi incluído na quarta-feira à noite, 31, pelo Serviço de Imigração dos Estados Unidos(ICE, na sigla em inglês) na lista de 10 fugitivos mais procurados.

"Você já viu este fugitivo mais procurado? Ele é procurado por tráfico internacional de narcóticos", escreveu o ICE em sua conta no Twitter, ao lado de uma foto do ministro, que já foi vice-presidente do governo de Nicolás Maduro e é alvo de sanções dos Estados Unidos.

A agência americana acrescentou em seu site que Aissami sofreu sanções em fevereiro de 2017 pelo Escritório para o Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) do Departamento do Tesouro dos EUA por desempenhar "um papel significativo no tráfico internacional de narcóticos".

Segundo o ICE, Aissami "facilitou envios de narcóticos a partir da Venezuela", o que incluía o controle sobre os aviões que decolavam de uma base aérea no país e das rotas de entorpecentes através de portos.

"Nos cargos anteriores, supervisionou ou controlou parcialmente envios de narcóticos de mais de 1 tonelada a partir da Venezuela em múltiplas ocasiões, incluindo alguns com México e Estados Unidos como destino final", acrescenta o comunicado.

Ainda na quarta-feira, Aissami classificou como uma "agressão infame" a decisão do governo dos EUA.

"Hoje vimos, de novo, esta pretensa agressão infame, essa canalhice do imperialismo. (_) Eles não poderão deter o curso irreversível nem a vontade do povo venezuelano de ser uma potência, um país livre e soberano. Acusem-nos do que quiserem, seguiremos construindo o sonho de (Símon) Bolívar, o sonho da pátria", disse ele em vídeo divulgado no Twitter.

Na legenda do post, também se declarou "inquebrável" e "leal" ao governo de Maduro.

Nesta quinta-feira, o ministério das Relações Exteriores da Venezuela emitiu um comunicado onde afirma que a medida contra Aissami faz parte de “uma campanha de descrédito dirigida a minar a dignidade das autoridades venezuelanas”, além de ser uma “grave afronta” ao governo chavista.

Pela conta do Twitter do ministro das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, o governo do presidente Nicolás Maduro rechaça a “grave acusação” dos EUA, além de afirmar que “desconhece autoridade alguma do governo americano para realizá-la”. O comunicado ainda anuncia que irá denunciar “essas e outras ações militares” de Trump às instâncias internacionais competentes.

O governo do presidente americano Donald Trump lidera a pressão internacional para retirar Maduro do poder, cujo governo considera resultado de eleições fraudulentas. Os EUA são um dos 50 países que consideram o líder do Congresso e autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, como o governante oficial do país.

Em março, autoridades federais dos Estados Unidos acusaram Aissami de tráfico de drogas e de driblar sanções impostas por Washington. Se for preso e extraditado, o ministro venezuelano pode ser condenado a até 30 anos de prisão.

Já em maio, Aissami foi acusado de ser o principal interlocutor do grupo terrorista islâmico xiita libanês, Hezbollah, na Venezuela e também em demais países da América Latina, com o objetivo de expandir o tráfico de drogas na região.

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