Teresina - PI

Ônibus voltam a circular nesta quarta com 70% da frota em Teresina

Os motoristas e cobradores de ônibus estão há mais de 50 dias em greve e decidiram retornar com 70% dos veículos do transporte público nos horários de pico, de 6h às 9h, e de 17h às 20h.

Davi Fernandes
Teresina
Brunno Suênio
Teresina
- atualizado

Os motoristas e cobradores de ônibus resolveram retornar às atividades parcialmente, nesta quarta-feira (08), com 70% da frota no horário de pico e 30% dos ônibus no horário normal, após decisão liminar da desembargadora Liana Chaib, presidente do Tribunal de Justiça do Trabalho da 22ª Região, ocorrida na última segunda-feira (06).

A decisão não interfere na greve dos motoristas e cobradores de ônibus, que já dura mais de 50 dias.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Ônibus no centro de TeresinaÔnibus no centro de Teresina

Na tarde dessa terça-feira (07), depois de uma audiência de conciliação ocorrida por meio de videoconferência, que contou com a participação de representantes do Setut, da Strans e do Ministério Público do Trabalho, não houve acordo para o fim da greve, mas os motoristas e cobradores decidiram acatar a decisão da desembargadora.

Por meio de nota, o Sintetro pediu aos trabalhadores que “estiverem escalados a comparecerem a seus postos de trabalho, sob pena de multa diária de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) ao sindicato, ao tempo em que convoca a todos os que não estão escalados para comparecerem na sede do Sintetro para uma Assembleia Ordinária” a ser realizada em dois turnos, às 9h e às 16h.

Confira a nota na íntegra

  • Foto: Divulgação/SintetroNota do SintetroNota do Sintetro

Veja como vai funcionar

- Horário de pico: pelo menos três horas pela manhã (das 6 às 9h) e três horas no final do dia (das 17 às 20h), de segunda a sexta-feira; e das 6 às 9h e das 12 às 15h aos sábados, funcionando pelo menos 70% da frota descrita nas ordens de serviços da Strans.

- Nos demais horários e aos domingos: o funcionamento de pelo menos 30% da frota descrita nas ordens de serviços da Strans.

Ao Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina, a desembargadora Liana Chaib estabeleceu multa diária de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), para que disponibilize quantidade necessária de ônibus visando ao cumprimento dos percentuais mínimos deferidos na decisão.

A Strans deverá manter o cadastro de veículos para o transporte alternativo, enquanto durar a greve do serviço de transporte coletivo urbano de Teresina e que fiscalize o cumprimento das medidas de urgência, informando nos autos, sob pena de multa diária de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais).

Entenda o caso

Em greve há mais de 50 dias, motoristas e cobradores de ônibus cobram o restabelecimento dos benefícios do ticket alimentação e plano de saúde, que foram retirados durante a pandemia do novo coronavírus, além do cumprimento da Medida Provisória 936 do Governo Federal.

Na última sexta-feira (03), o Sintetro chegou a afirmar que atenderia a uma recomendação do Ministério Público do Trabalho para que os trabalhadores retomassem as atividades, mesmo em greve, mantendo os percentuais de 70% no horário de pico e 30% no horário normal, enquanto fossem discutidos pontos para um acordo entre a categoria e os empresários, que alegam não terem condições de manter os benefícios reivindicados pelos trabalhadores durante a pandemia, que trouxe queda importante na receita.

Já nessa segunda-feira (06), após nova assembleia geral na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário (Sintetro), os motoristas e cobradores de ônibus decidiram manter a greve da categoria, descartando possibilidade de retorno às atividades nesta terça-feira (07), conforme havia sido anunciado na última sexta-feira (03), o que provocou a decisão liminar da desembargadora Liana Chaib, com objetivo de garantir o retorno parcial das atividades em meio à greve.

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Motoristas e cobradores de ônibus não vão retornar amanhã, diz Sintetro

Ônibus voltam a circular na terça-feira em Teresina, diz Sintetro

Setut lamenta decisão do Sintetro em deflagrar greve em Teresina