Piauí

PF cumpre mandados de busca e apreensão no Piauí na operação Zelotes

Esta nova etapa investiga um consórcio de empresas que, além de manipular julgamentos dentro do Carf, negociava incentivos fiscais a favor de empresas do setor de automóveis.

Raisa Brito
Teresina
Wanessa Gommes
Teresina

A quarta fase da operação Zelotes foi deflagrada, na manhã desta segunda-feira (26), pela Polícia Federal. Policiais cumprem seis mandados de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão e nove de condução coercitiva (quando a pessoa presta esclarecimento na delegacia e depois é liberada) no Piauí, São Paulo, Maranhão e Distrito Federal.

Ao GP1, a assessoria de comunicação da Polícia Federal no Piauí informou que serão cumpridos três mandados de busca e apreensão no Estado.

Esta nova etapa investiga um consórcio de empresas que, além de manipular julgamentos dentro do Carf, negociava incentivos fiscais a favor de empresas do setor de automóveis.

Segundo o G1, o esquema investigado consistia em pagamento de propina para integrantes do Carf com o objetivo de anular ou reduzir débitos tributários de empresas com a Receita Federal.

Os agentes realizaram busca e apreensão na empresa de marketing esportivo LFT, do filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Luis Claudio Lula da Silva. Segundo as investigações, a empresa tem ligação com a consultoria Marcondes e Mautone, investigada na Zelotes.

Imagem: DivulgaçãoLuis Claudio Lula da Silva(Imagem:Divulgação)Luis Claudio Lula da Silva
De acordo com informações de O Globo, até o momento, a PF já prendeu cinco suspeitos de envolvimento com fraudes no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Entre os detidos estão Alexandre Paes Santos, José Ricardo Silva e também o lobista Mauro Marcondes Machado, vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Machado é acusado de negociar interesses de montadoras com conselheiros do Carf. O único a escapar da ação policial até o momento é um suspeito do Piauí.

Imagem: Paula Paiva Paulo/G1Prédio da LFT Marketing na região Central de São Paulo(Imagem:Paula Paiva Paulo/G1)Prédio da LFT Marketing na região Central de São Paulo
Nesta etapa, também foi preso preventivamente José Ricardo da Silva, ex-conselheiro do Carf.

Defesa

Em nota, o advogado Cristiano Martins, que representa as duas empresas do filho de Lula, disse que a operação “revela-se despropositada na medida em que essa empresa não tem qualquer relação com o objeto da investigação da chamada “Operação Zelotes”.

Em outro trecho, o advogado diz que: “A Touchdown organiza o campeonato brasileiro de futebol americano — torneio que reúne 16 times, incluindo Corinthians, Flamengo, Vasco da Gama, Botafogo, Santos e Portuguesa —, atividade lícita e fora do âmbito da referida Operação. No caso da LFT Marketing Esportivo, que se viu indevidamente associada à edição da MP 471 – alvo da Operação Zelotes -, a simples observação da data da constituição da empresa é o que basta afastá-la de qualquer envolvimento com as suspeitas levantadas. A citada MP foi editada em 2009 e a LFT constituída em 2011 — 2 anos depois. A prestação de serviços da LFT para a Marcondes & Maltone ocorreu entre 2014 e 2015 – mais de 5 anos depois da referida MP e está restrita à atuação no âmbito de marketing esportivo. Dessa prestação, resultaram 4 projetos e relatórios que estão de acordo com o objeto da contratação e foram devidamente entregues à contratante. O valor recebido está contabilizado e todos os impostos recolhidos e à disposição das autoridades. A Touchdown e a LFT jamais tiveram qualquer relação, direta ou indireta, com o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF)”.

O advogado afirmou ainda que logo que o escritório soube da busca e apreensão foi pedido à Justiça e à Polícia Federal acesso a todo “o material usado para justificar a medida, não tendo sido atendidos até o momento. Tal situação impede que a defesa possa exercer o contraditório e tomar outras medidas cabíveis”.

Operação Zelotes

A primeira etapa da operação foi realizada em março deste ano, onde o ex-secretário da Receita Federal, Otacílio Dantas Cartaxo, foi acusado de favorecer decisões judiciais a empresas que tinham débito com a mesma.

Na segunda fase, deflagrada em setembro, a ex-ministra de Dilma, Erenice Guerra, foi citada pelo motorista Hugo Rodrigues Borges, responsável por sacar dinheiro do esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Segundo o motorista, Erenice tinha contato com um dos escritórios suspeitos de participar do esquema. O escritório pagava propina ao conselheiro do órgão.

Sete mandados de buscas e apreensão foram cumpridos no Distrito Federal e no Rio de Janeiro, na terceira fase da operação deflagrada, no início do mês de outubro.