O advogado Edson Araújo, que representa a vereadora Tatiana Medeiros (PSB), concedeu coletiva de imprensa nesta segunda-feira (13) para tratar do retorno da parlamentar à Câmara Municipal de Teresina , que deve ocorrer na terça-feira (13).
De acordo com o advogado, a volta de Tatiana ocorrerá após resolver pendências burocráticas relacionadas ao gabinete. “Depende desses trâmites burocráticos. A gente vai entender exatamente como é que vai ficar o gabinete e até o espaço físico. Parece que o gabinete já havia sido passado para outra pessoa, o que é normal, quando uma pessoa sai, outra entra”, explicou.
Inocência da vereadora
Durante a coletiva, Edson Araújo reafirmou a inocência de Tatiana Medeiros e disse que a defesa continuará trabalhando pela absolvição definitiva da parlamentar. Mesmo em liberdade, Tatiana ainda cumpre algumas medidas cautelares, entre elas o recolhimento noturno.
“A vereadora, mesmo antes da invalidação das provas por captação ilícita, já era completamente inocente. Nós sempre contestamos o objeto da ação, principalmente essa suposta ligação com facção. A vereadora nunca teve, não tem e nunca teve nenhuma ligação com facção”, declarou o advogado.
Ainda segundo a defesa, Tatiana segue utilizando tornozeleira eletrônica, mas o equipamento deverá ser retirado nos próximos dias. “Ela ainda está usando, mas já estamos providenciando a retirada. A decisão revogou todas as cautelares anteriores e impôs novas medidas. Nessas novas cautelares, não há referência à tornozeleira. Então, entendemos que ela não precisa mais utilizá-la”, completou.
Retorno dos assessores
O advogado também informou que a vereadora vai solicitar o retorno de sua equipe de assessores, exonerada após sua prisão. No entanto, os servidores que foram citados no processo não poderão retornar, conforme determinação judicial.
“O funcionamento do gabinete depende das pessoas que trabalham nele. Como algumas estavam listadas no processo, elas não poderão retornar, por ordem da decisão. Essas vagas deverão ser preenchidas por novos servidores, para que o trabalho continue normalmente”, finalizou Edson Araújo.
Entenda o caso
O caso da vereadora Tatiana Medeiros (PSB) começou a ganhar repercussão ainda em novembro de 2024, quando o namorado dela, Alandilson Cardoso Passos, foi preso pela Polícia Federal. Ele é apontado como integrante da facção criminosa Bonde dos 40 e foi alvo de investigações por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Durante as apurações, surgiram suspeitas de que a organização teria oferecido suporte financeiro à campanha eleitoral de Tatiana, o que levou a vereadora a entrar no radar das autoridades.
Em 3 de abril de 2025, Tatiana Medeiros foi presa pela Polícia Federal, por determinação do 1º Juízo de Garantias da Justiça Eleitoral do Piauí, no âmbito da segunda fase da Operação Escudo Eleitoral. A investigação apontava indícios de que a campanha da parlamentar teria sido financiada com recursos oriundos do Bonde dos 40. A vereadora passou a responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro, peculato e falsidade ideológica. Após a prisão, todos os servidores ligados ao gabinete dela na Câmara Municipal de Teresina foram exonerados.
O caso ganhou novo desdobramento em 7 de outubro de 2025, quando o desembargador Pedro Macêdo, do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI), anulou provas produzidas pela Polícia Federal com base em um relatório que embasava parte da acusação. A decisão também determinou a suspensão da audiência de instrução e julgamento, que estava marcada para ocorrer entre os dias 13 e 17 de outubro, na 1ª Zona Eleitoral de Teresina.
Poucos dias depois, em 10 de outubro de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI) determinou a soltura da vereadora e o retorno dela ao mandato na Câmara Municipal de Teresina. A decisão, assinada pelo juiz José Maria de Araújo Costa, atendeu a um pedido da defesa, que argumentou que, com a anulação das provas, não havia mais fundamentos para a manutenção da prisão.