O delegado Ferdinando Martins, do Departamento de Combate à Corrupção ( DECCOR ), afirmou que Suelene Pessoa , mais conhecida como Sol Pessoa, detinha “controle sobre todos os atos da administração pública” enquanto exerceu a função de chefe de gabinete do ex-prefeito Dr. Pessoa . Ela foi presa na manhã desta terça-feira (13) , em operação deflagrada pela Polícia Civil.
Além de Sol Pessoa, foram presos na Operação Gabinete de Ouro o empresário Marcus Almeida de Moura , Mauro José de Sousa e Rafael Thiago Teixeira Ferreira . Eles são acusados de atuar em um esquema de corrupção que movimentou milhões de reais, incluindo obtenção de vantagens indevidas e a prática de “rachadinha”, que consiste na retenção de parte do salário de funcionários.
Segundo o delegado Ferdinando, foi constatado que Sol Pessoa comandava o esquema de rachadinha dos funcionários terceirizados. Todas as contratações, de todas as pastas da prefeitura, ocorriam mediante autorização dela, considerada braço-direito de Dr. Pessoa – daí o nome da operação, “gabinete de ouro”.
“Foi um trabalho iniciado em 2024, quando o Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro produziu um relatório sobre movimentações financeiras suspeitas envolvendo alguns investigados. Dentre eles, dois ex-vereadores, assessores e pessoas ligadas a esses parlamentares, e um outro que envolvia fatos da antiga gestão, do Doutor Pessoa. Foi quando as informações foram trabalhadas, diligências iniciadas e conseguimos comprovar que a servidora pública, que era chefe de gabinete dele, tinha forte gestão e controle sobre todos os atos da administração pública, principalmente lotação de terceirizados, servidores comissionados, envolvendo pagamentos a fornecedores. Ela tinha uma forte gestão e controle sobre isso”, frisou o delegado.
Mansão
A investigação policial concluiu que a mansão luxuosa de Sol Pessoa, localizada no residencial Hugo Prado, zona sul de Teresina, foi presente de uma construtora, como vantagem indevida.
“O trabalho demonstrou, dentro dessa investigação, que um imóvel adquirido por ela tinha vinculação com eventual vantagem ilícita paga. Fizemos essa diligência, comprovando a vinculação dessa ex-servidora, a ligação dela com determinado empresário e dois operadores financeiros que eram as pessoas que faziam pagamentos para ela, utilizavam de suas contas, recebiam encomendas de alguns fornecedores para otimizar o trâmite dentro de alguns procedimentos de pagamento dentro da gestão”, completou Ferdinando Martins.
Servidores comissionados
Ainda conforme o delegado Ferdinando Martins, o esquema de rachadinha ia além dos terceirizados, e Sol Pessoa chegou a controlar salários de alguns servidores comissionados da prefeitura.
“Ela centralizava todos esses pagamentos, tinha forte gestão sobre todas as locações, todas as pastas e, inclusive, sobre salários de alguns servidores comissionados, na típica rachadinha, que a gente chama”, concluiu a autoridade policial.
Bens retidos
No âmbito da operação, a Justiça do Piauí determinou o sequestro da mansão de Sol Pessoa, de um apartamento de Rafael Thiago e de um sítio de Marcus Almeida, além de três veículos.