Lucélia Maria da Conceição Silva , presa por engano acusada de matar duas crianças envenenadas, foi absolvida depois de mais de um ano do caso, ocorrido em agosto de 2024 na cidade de Parnaíba, Litoral do Piauí. Na época, a mulher foi apontada como a principal suspeita de envenenar cajus e entregá-los para dois irmãos, de sete e oito anos. A decisão que a inocentou foi proferida nesta terça-feira (14) pelo juiz José Carlos da Fonseca Lima Amorim.

A reviravolta do caso começou quando a perícia nos cajus comprovou que as frutas não estavam envenenadas. Até a publicização do resultado do exame pericial, Lucélia Maria ficou presa por quase cinco meses na Penitenciária Feminina Gardênia Gomes Lima, em Teresina. Ela foi solta no dia 13 de janeiro de 2025, mas, ao deixar o presídio, encontrou apenas escombros no lugar da sua casa, que foi destruída por populares que acreditavam que ela tinha envenenado os cajus.

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Sammai Cavalcante e Lucélia Maria

Segundo o advogado Sammai Cavalcante, com a sentença de absolvição, agora a defesa irá aguardar o trânsito em julgado para ingressar com uma ação indenizatória contra o Estado do Piauí, em que o pedido de reparação à Lucélia Maria pode chegar a R$ 1 milhão.

“Vamos aguardar o trânsito em julgado dessa decisão e vamos trabalhar bem, e ter fé que o Estado saberá julgar o cunho indenizatório. Se você pegar uma pessoa que ficou cinco meses presa acusada de matar duas crianças com emprego de veneno, tendo se declarado inocente, e ela se manter em risco de vida em um ambiente carcerário hostil por conta de todas as presas acreditarem em toda notícia que foi veiculada em relação à culpa dela no episódio, ela sendo inocente, então deve ser pedido um valor alto, podendo chegar de R$ 700 mil a R$ 1 milhão”, afirmou o advogado.

Relembre o caso

João Miguel Silva, de 7 anos, e Ulisses Gabriel Silva, de 8 anos, foram hospitalizados no dia 22 de agosto do ano passado, com suspeita de envenenamento. Lucélia Maria, vizinha das crianças, foi presa um dia depois, apontada como principal suspeita. Ela teve a preventiva decretada após a Polícia Civil ter encontrado na casa da mulher o mesmo veneno encontrado no organismo dos meninos.

O mais novo morreu no dia 28 de agosto, enquanto Ulisses faleceu no dia 10 de novembro. Eles eram filhos de Francisca Maria da Silva, que também morreu envenenada com mais três filhos e um irmão do início deste ano, após eles comerem um arroz envenenado em casa no dia 1º de janeiro.

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Suspeitos

Maria dos Aflitos Silva e Francisco de Assis Pereira da Costa são réus acusados de envenenar pessoas da mesma família. Segundo o Ministério Público, eles seriam os responsáveis pelo envenenamento das crianças mortas em agosto, e dos outros familiares no Ano Novo.

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Maria dos Aflitos Silva e Francisco de Assis Pereira da Costa

Embora a matriarca negue ter matado os filhos e netos envenenados, ela afirmou ter desconfiado do companheiro. Entretanto, no dia 31 de janeiro, Maria dos Aflitos foi presa após a Polícia Civil encontrar traços de terbufós no corpo de Maria Jocilene, vizinha que morreu após tomar café envenenado na casa da acusada.

Conforme o Ministério Público, Maria dos Aflitos e Francisco de Assis afiram de forma premeditada e cruel, controlando os alimentos da família e introduzindo veneno em diferentes refeições. Documentos encontrados mostraram que Francisco tinha obsessão por ideias nazistas e substâncias tóxicas.