A Associação de Pequenos Produtores Rurais da Comunidade Canela de Velho I , localizada na zona rural de Floriano, ingressou com uma ação civil pública ambiental com pedido de tutela de urgência contra a empresa Alvorada Serviços Ambientais, Construções, Transportes e Locações Ltda e o Município de Floriano, administrado pelo prefeito Antônio reis . A ação foi proposta na quarta-feira (15) e é assinada pelo presidente da associação, José Hélio Ferreira.
Segundo a petição, a comunidade se mobilizou após o anúncio da instalação de um aterro sanitário privado nas margens da BR 230, dentro do loteamento rural Canela de Velho — área que, segundo os moradores, é habitada e utilizada para agricultura familiar. O caso também foi comunicado ao Ministério Público do Estado do Piauí por meio da Notícia de Fato nº 000096-101/2025.
De acordo com a associação, embora o aterro represente um avanço em termos de infraestrutura para Floriano e municípios vizinhos, o local escolhido não é adequado, já que o empreendimento ficaria a menos de 1 km das residências e de 12 poços artesianos que abastecem as comunidades da região, como Canela de Velho, Ilha, Grota Seca e Rio Branco.
Os moradores relatam que a área afetada surgiu em 2018, com a criação do loteamento Canela de Velho, vendido pelo senhor Alberto Raimundo Filho, e que ali foram construídas casas, plantações e poços. Dos 51 lotes existentes, apenas três, que totalizam 12 hectares, não foram vendidos inicialmente e teriam sido adquiridos para a implantação do aterro.
A associação sustenta que a obra coloca em risco a saúde pública e o meio ambiente, devido ao risco de proliferação de insetos, mau cheiro, contaminação do solo e dos lençóis freáticos. Além disso, os produtores afirmam que o início do desmatamento na área do futuro aterro ocorreu sem diálogo prévio com os moradores, o que gerou preocupação e revolta entre as famílias locais.
“O terreno está dentro de uma área habitada, e sua instalação ameaça a subsistência de famílias que vivem da agricultura e dependem dos recursos naturais locais”, diz um trecho da ação.
Pedidos à Justiça
Na ação, a associação pede que a Justiça determine, em caráter liminar:
- a suspensão imediata das obras de instalação do aterro sanitário;
- a fixação de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento;
- que a empresa indique outro local adequado para o empreendimento;
- e que o Município de Floriano suspenda qualquer licença já emitida para a execução do projeto.
Também foi solicitado que a empresa apresente estudos de impacto ambiental e planos de recuperação ambiental, além da intimação do Ministério Público para acompanhar o caso.
A associação ainda pede a isenção de custas processuais e que a ação seja julgada totalmente procedente, com a confirmação definitiva da tutela de urgência e a proibição da instalação do aterro sanitário na área em litígio.
Outro lado
Procurado pelo GP1 , o prefeito Antônio Reis não foi localizado para comentar o caso. O espaço está aberto para esclarecimentos.